Menu
Analice Nicolau
Analice Nicolau

Liberação do cultivo de maconha para uso medicinal: Daniela Ito, especialista em Direito Médico, comenta decisão do Supremo Tribunal de Justiça

Recentemente, o STJ autorizou três pessoas a cultivarem maconha para a extração do óleo de canabidiol para uso medicinal. A sócia do escritório Fonseca, Moreti Advogados, traz sua opinião profissional sobre o assunto

Analice Nicolau

21/06/2022 11h00

Recentemente, o STJ autorizou três pessoas a cultivarem maconha para a extração do óleo de canabidiol para uso medicinal. A sócia do escritório Fonseca, Moreti Advogados, traz sua opinião profissional sobre o assunto

Ainda é complicado falar sobre a liberação da maconha sem evitar as polêmicas envolvidas no assunto. Nas palavras de Daniela Ito, especialista em Direito Médico, a recente decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) autorizando a três pessoas cultivarem maconha para a extração do óleo de canabidiol para uso medicinal, “denota uma evidente necessidade da regulamentação do uso da substância para fins de saúde”, afirma.

A advogada chama a atenção para os votos dos ministros que, com críticas ao Poder Legislativo, cobraram a coragem necessária para o enfrentamento de um assunto que, “por ser polêmico, torna-se perigoso quando se tem como preocupação suprema os fins eleitoreiros”, avalia.

Para a Daniela, a melhor forma de se dirimir a questão do cultivo da cannabis sativa, extração e comercialização do óleo de canabidiol é a regulamentação pelo legislativo e posterior tutela do Ministério da Saúde e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A especialista ressalta os benefícios médicos do uso de canabidiol. “O fato é que é indiscutível que a aplicação do canabidiol é eficaz para diversas patologias, entre elas, por exemplo, a complexa Doença de Parkinson, que tem apresentado resultados ainda mais promissores na medicina”, destaca.

Religião X Ciência

A advogada diverge da polêmica, e afirma que os argumentos morais e religiosos não deveriam entrar em questão quando o ponto é esse. “Não se trata de liberação da maconha, como pretendem fazer crer muitos. Os aspectos morais e religiosos aqui não têm espaço, uma vez que o tema tem natureza exclusivamente científica”, opina.

Para ela, a concessão pontual não é medida suficiente para a real demanda, sem contar que tais medidas judiciais tornam ainda mais conflituosa a questão. “Somente uma produção industrial controlada pelas autoridades competentes atenderá, de forma igualitária, a demanda de pacientes agregando garantias de ordem quantitativa e qualitativa. Além disso, temos os aspectos econômicos envolvidos com a criação de empregos e o incremento das pesquisas científicas no País”, pontua.

Para Ito, negar a regulamentação de tratamento comprovadamente benéfico e eficaz afronta a Constituição. “A classe política deve ser cobrada com rigor, decisões judiciais esparsas, ainda que justamente motivadas, não dão a resposta adequada e suficiente aos anseios sociais e, podem ainda, culminar na criação de outros conflitos desnecessários em um futuro próximo”, conclui.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado