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Analice Nicolau
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João Doria não se arrepende de antagonizar com Bolsonaro durante pandemia

Analice Nicolau

29/03/2023 10h00

João Doria não tem arrependimentos quanto a postura que tomou quando precisou enfrentar a pandemia de Covid-19 como governador de São Paulo. Na época, o político optou por se desvincular de Jair Bolsonaro (PL) ao apoiar abertamente o uso de máscaras e acreditar na eficácia das vacinas que eram testadas para combater o vírus.

“Foi para salvar vidas. Não foi política, foi uma questão técnica: salvar vidas, apoiar a compra da vacina, aplicar a vacina, compreender que era mandatória seguir a ciência e não seguir a política. Foi isso que eu fiz, eu não tive a preocupação política, eu tive a preocupação da ciência. A ciência mandava que as pessoas deveriam ficar reclusas, ficar em casa, não deviam sair, deviam ficar em casa, usar máscara, deviam receber a vacina”, explicou o empresário, sobre suas ações na época.

O governo decretou quarentena a partir de 21 de março de 2020 e, nos meses seguintes, fez um plano para que os comércios fossem reabertos de acordo com o número de casos divulgados e mortes registradas na região.

Além disso, Doria foi contra as declarações de Bolsonaro. O político usou o dinheiro do Estado de São Paulo para comprar 124 milhões de doses da Coronavac diretamente com o laboratório Sinovac, que o Jair Bolsonaro afirmava que nunca as adquiria por serem da China. Também foi no território que foi aplicada a primeira vacina no Brasil após autorização da Anvisa.

“Devido a uma visão equivocada lamentavelmente do presidente Bolsonaro que assumiu a sua postura negaciocionista e era contra a vacina, a favor da cloroquina e intimidava as pessoas da ciência dizendo que é preciso usar máscara e tomar vacina”, acrescentou o ex-governador.

Fora da política pós-pandemia

Doria também revelou que acredita ter perdido popularidade por ter batido de frente com Jair Bolsonaro na época da pandemia. Ele optou por sair do PSDB após ter vencido as primárias do partido, mas não ter sido escolhido para representa-los nas eleições presidenciais. “Nós perdemos a narrativa do gabinete do ódio. Ele venceu e eu tenho que admitir isso”, afirmou.

O ex-governador acredita que a implementação das medidas restritivas, apesar de terem sido necessárias para conter o vírus, prejudicaram seu mandato por não terem apelo popular –que acabou prejudicada pela redução da jornada de trabalho presencial.

“As medidas restritivas que aplicamos para que as pessoas ficassem em casa, as medidas tornando obrigatória o uso de máscaras, o fechamento de serviços e a comunicação feita a partir do gabinete do ódio lamentavelmente feita em Brasília. Tanto é que ela nos proporcionou uma queda de popularidade acelerada, mas eu preferia perder em pesquisa do que não ganhar a vidas. Não tinha preocupação em proteger mandato”, finalizou.

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