Mesmo fora da vida política desde que terminou seu mandato como governador de São Paulo, João Doria ainda está de olho no que acontece no cenário nacional. Recentemente, o presidente do grupo Lide ficou preocupado com as declarações de Luis Inácio Lula da Silva (PT). O presidente da República afirmou que Sergio Moro armou uma operação da Polícia Federal que prenderam integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital) que planejavam atentar contra a vida do senador.

“Não foi uma declaração correta. Foi infeliz. Até os aliados, mais próximos, por bom senso, reproduziram esse sentimento de que era desnecessário”, explicou Doria, em entrevista ao programa Direto ao Ponto, da Jovem Pan, desta segunda-feira (27).
O empresário, inclusive, faz uma comparação com as gestos do Ministro da Justiça, Flávio Dino, de falar positivamente sobre a operação em público. “Ele fez um posicionamento completamente oposto, já que tinha as informações da Polícia Federal. [O ministro] fez isso dois dias antes do próprio presidente Lula, será que ninguém avisou? Ou reproduziu o sentimento expresso pelo Ministério da Justiça?”, questionou.

Para Doria, Lula poderia evitar a postura combativa em relação a Sergio Moro. O ex-juiz da Vara de Curitiba foi o responsável por condenar o presidente pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro na ação penal que envolvia um tríplex no Guarujá, litoral de São Paulo, o que levou à prisão por 580 dias.
“Eu não tenho que fazer juízo sobre ele, nem desejo ter esse papel. Se ele se inspirasse em Mandela, lendo, ouvindo ou conhecendo melhor a história. Talvez fizesse bem a história. Não cabe a um presidente, com a idade de Lula, de alguém que foi eleito democraticamente estabelecer esse tipo de repto. Com quem quer que seja. Isso não é uma boa atitude. Não é saudável. Nem para ele, como dirigente máximo do país, eleito democraticamente. Não é um bom exemplo pra seu partido, para a política, e muito menos para o Brasil. Confronto é que não precisamos, precisamos do encontro e divergir”, finalizou.