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Analice Nicolau
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Dia da criatividade: escritor Jacob Petry afirma que a criatividade é uma habilidade que pode ser desenvolvida

O autor do livro “Seja Singular” aponta como o ato de criar é uma habilidade que precisa, necessariamente, ser aprendida e não algo que nasce com o indivíduo

Analice Nicolau

17/11/2021 18h00

O autor do livro “Seja Singular” aponta como o ato de criar é uma habilidade que precisa, necessariamente, ser aprendida e não algo que nasce com o indivíduo

Quando o assunto é criatividade, o imaginário popular logo se volta para o conceito de ideias revolucionárias que surgem do nada, por uma inside quase mágico — acontece que não é bem assim. Comemorado neste dia 17 de novembro, o Dia da Criatividade e Inovação chama atenção não apenas pelo fato dessa habilidade ser fundamental ao desenvolvimento humano e econômico, mas como cada indivíduo é capaz de desenvolver essa competência.

O filósofo, pesquisador e escritor Jacob Petry explica que 90% das ações que um indivíduo realiza diariamente são originadas de padrões mentais, o piloto automático, sendo a criatividade uma forma de sair dessa zona de conforto mental para criar novos caminhos e formas de enxergar o mundo, ou seja, a criatividade é basicamente olhar para o que todo mundo olha, mas ver o que ninguém mais vê.

“A maioria das pessoas acaba se identificando com o seu conteúdo mental. Elas formam uma ‘noção do eu’ baseada nas experiências, educação e observação do passado, e se identificam com isso. Quando isso ocorre, tudo o que elas percebem, é um reflexo desse entendimento de mundo. Elas se tornam completamente alienadas. Isto é, elas se tornam uma reação automatizada do seu conteúdo mental. Elas não pensam mais. O pensamento é substituído por um movimento mental automático, que é a voz compulsiva e involuntária que habita na cabeça. A partir disso, elas passam a viver no limite dessa estrutura mental. Com isso, a imaginação também fica restrita com o que elas se identificaram”, diz.

Criatividade é um dom?

Na obra “Seja Singular”, a criatividade é um dos assuntos debatidos pelo autor, que derruba a ideia de que se trata de um dom. “Há a crença de que a criatividade é uma habilidade inata, ou seja, que se nasce com ela. Na verdade, é o contrário, a verdade é que as pessoas tendem a ser criativas quando se espelham em algo já existente, inovando o que já foi criado. Nada surge do zero, porém não significa imitar, e sim avançar sobre a obra deixada pelo outro, entender o processo e adicionar melhorias”, diz.

De acordo com Petry, não há um gene da criatividade e sim o fato dessa habilidade ser desenvolvida ou não. “A medida que crescemos somos induzidos a renunciar a um elemento essencial para a criatividade: a imaginação. Culturalmente se valoriza mais a habilidade de ser prático e racional, o mundo das ideias é pouco compreendido. Entretanto, a razão não é criativa. Ela é dedutiva. O indivíduo racional é um indivíduo da mente, ou seja, da ciência, dos conceitos. O indivíduo criativo é diferente. Ele é o indivíduo da alma, do vazio, do silêncio, do milagre, do inusitado”, argumenta o filósofo.

Essa distinção explicaria porque a imaginação vai se perdendo entre a infância e a fase adulta, visto que o conhecimento vai sendo sobreposto às ideias. “Quanto mais identificação e apego tivermos ao conhecimento, mais limitada fica nossa percepção, e portanto, menos criativos seremos. A criatividade requer uma mente aberta. Foi por isso que Picasso disse: levei 15 anos para aprender a pintar como Rafael, e uma vida inteira para pintar como uma criança”, diz.

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