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Analice Nicolau
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Inverno otimiza tratamento de melasma, alerta a especialista Lidiane Lopes

Colunista Analice Nicolau

28/05/2026 10h43

Lidiane Lopes, esteticista cosmetóloga

A esteticista cosmetóloga Lidiane Lopes detalha por que a estação fria exige cuidados contínuos contra as manchas faciais

A transição para os meses mais frios do ano tradicionalmente impulsiona a busca por terapias voltadas ao clareamento de manchas na pele. Com a queda das temperaturas e a menor incidência de radiação solar direta, o inverno desponta como um período estratégico para o manejo do melasma. Segundo a esteticista cosmetóloga Lidiane Lopes, especialista em saúde e regeneração da pele, essa percepção climática favorável costuma motivar o início de novos protocolos estéticos. Contudo, a profissional ressalta que a redução do calor não anula a necessidade de proteção diária, exigindo cautela e precisão técnica.

O melasma é classificado como uma hiperpigmentação crônica e multifatorial, caracterizada pelo surgimento de manchas acastanhadas em áreas fotoexpostas, sobretudo na face. Embora a luz solar seja o principal gatilho, a ciência dermatológica atual demonstra que a condição também sofre forte influência da luz visível, variações hormonais, quadros inflamatórios, estresse oxidativo e desidratação severa. Adicionalmente, intervenções clareadoras mal conduzidas ou excessivamente abrasivas podem desencadear o temido efeito rebote, exacerbando a produção de melanina como um mecanismo de defesa natural do organismo contra a agressão sofrida.

Na prática clínica, essas variáveis climáticas e biológicas exigem ajustes rigorosos na rotina de cuidados domiciliares e nas intervenções realizadas em consultório. Durante o inverno, a umidade do ar reduzida e o hábito de tomar banhos com água em altas temperaturas tendem a comprometer o manto lipídico, deixando a pele consideravelmente mais ressecada e suscetível a irritações. Para indivíduos que convivem com o melasma, o enfraquecimento dessa barreira cutânea representa um risco elevado, pois inviabiliza a eficácia dos clareadores tópicos e aumenta a probabilidade de respostas inflamatórias adversas ao longo do tratamento.

A esteticista cosmetóloga Lidiane Lopes

A gestão adequada do quadro demanda uma compreensão profunda sobre o comportamento fisiológico do tecido cutâneo frente às mudanças ambientais e aos estímulos químicos. “O inverno costuma ser uma estação mais favorável porque há menor intensidade de radiação solar e menor exposição direta ao calor, que são fatores que estimulam a pigmentação. Mas isso não significa abandonar o protetor solar ou fazer procedimentos agressivos. O melasma precisa de gerenciamento, não de pressa”, explica Lidiane Lopes, destacando a necessidade de uma abordagem focada no fortalecimento da estrutura dérmica antes de qualquer intervenção de impacto.

Como alternativa segura, os protocolos contemporâneos priorizam o equilíbrio entre a regeneração celular e o controle pigmentar, utilizando técnicas de baixa agressividade associadas à hidratação intensiva e análise criteriosa. “Quando a pele inflama, ela pode responder produzindo ainda mais pigmento. Por isso, o tratamento precisa clarear sem agredir. A barreira cutânea precisa estar íntegra para que a pele responda bem”, afirma a especialista. Essa conduta engloba a higienização suave, a aplicação de agentes antioxidantes, o uso inegociável de filtros solares de amplo espectro com cor e a personalização de ativos despigmentantes conforme o histórico de cada paciente.

O avanço das terapias estéticas permite hoje a utilização de tecnologias que dispensam a destruição tecidual profunda, como sistemas de entrega transdérmica de ativos, microagulhamento pontual e fontes de luz não ablativas controladas. Essas ferramentas convergem para um paradigma focado na modulação celular a longo prazo, em vez de buscar um clareamento imediato e insustentável. “O melasma não tem cura definitiva, mas tem controle. O resultado vem da combinação entre tratamento correto, rotina diária e respeito à fisiologia da pele”, reforça Lidiane, indicando que a evolução das abordagens se baseia essencialmente na preservação biológica.

Portanto, a estação fria consolida-se como um momento oportuno para reorganizar os cuidados faciais, exigindo, contudo, disciplina e orientação técnica qualificada para evitar retrocessos clínicos. A adoção de medidas protetivas contínuas, mesmo em dias nublados, e o abandono de terapias milagrosas são passos fundamentais para a estabilização do quadro pigmentar. “Resultados saudáveis não vêm de agressão, mas de equilíbrio. O inverno pode ser um grande aliado no tratamento do melasma, desde que o cuidado seja seguro, progressivo e bem conduzido”, conclui a cosmetóloga, evidenciando que a constância supera a intensidade no gerenciamento das condições cutâneas.

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