O Centro Espírito Sete Flechas da Mata Virgem, localizado em Rio das Pedras, na zona oeste do Rio de Janeiro, foi alvo de intolerância religiosa. Por meio de abaixo assinado, a comunidade cristã evangélica pedia pela retirada do Centro Espírita do bairro. O documento contava com cerca de assinaturas de cem fiéis.

Pai Douglas, zelador da Centro, é um homem sonhador e conquistou o seu lugar dentro da Umbanda principalmente ajudando quem precisa. Natural do estado da Bahia, veio para São Gonçalo na cidade do Rio de Janeiro para estudar. Hoje, com muito esforço e auxilio de projetos sociais, é formado em Pedagogia e Dança e leciona na área. Na maior parte do tempo fora de suas ocupações formais,se dedica aos trabalhos sociais desempenhados pelo Centro.
Pai Douglas conta que, infelizmente, o episódio do abaixo assinado não é um caso isolado. “Nós sofremos ataques frequentemente nas redes sociais e pessoalmente também. Isso porque aqui o Centro fica entre dois estacionamentos, não é em área propriamente residencial e não incomoda ninguém”, afirma. O zelador diz que apesar disso, não gosta de generalizar todos os cristãos. “Tem alguns que conseguem entender que servimos o mesmo Deus e respeitar. Na última feijoada que fizemos teve crentes que compareceram”, conta.

Para o umbandista, a melhor forma de lidar com a intolerância religiosa é de forma protestante, ou seja, “usando nosso branco”, em suas palavras. Pai Douglas conta que no Centro Espírita Sete Flechas da Mata Virgem todos, sem distinção, são bem vindos. E, demonstrar amor é uma das formas de protestar contra manifestações de ódio. “Fazemos projetos sociais para ajudar a todos sem distinção. Para combater a intolerância devemos ter como princípio um ao outro. Levantar nossa bandeira com respeito”, discursa.
Pai Douglas cita alguns projetos desempenhados na comunidade para combater a intolerância religiosa, entre eles: o projeto agasalho, o Projeto Cesta básica de vovó Cambina e também em breve o centro irá realizar o primeiro show de dança afro na praça da comunidade.

Umbanda: a arte de curar
É válido lembrar que a Umbanda é uma religião monoteísta e afro-brasileira, surgida justamente nos subúrbios do Rio de Janeiro. Ela se baseia em três três conceitos fundamentais: Luz, Caridade e Amor. A palavra “umbanda” pertence ao vocabulário quimbundo, de Angola, e quer dizer “arte de curar”.
Suas crenças trazem uma mistura entre os elementos do candomblé, do espiritismo e do catolicismo. Também tem Jesus como referência espiritual e não é raro encontrar sua imagem em lugar destacado nos altares das casas ou de terreiros.
As vestes mais usadas nas cerimônias umbandistas são de cor branca porque é a cor neutra que agrada todos os orixás e guias. Na Umbanda não se pratica o sacrifício de animais e se celebra rituais de batizado, consagração e casamento.