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Analice Nicolau
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Humorista Evandro Santo visita Cracolândia para entender realidade de usuários de drogas em SP

Limpo a um ano, o artista se dedica ao tema saúde mental em seu Instagram e ajuda pessoas que desejam sair do vício

Analice Nicolau

04/05/2022 18h00

Limpo a um ano, o artista se dedica ao tema saúde mental em seu Instagram e ajuda pessoas que desejam sair do vício

O humorista Evandro Santo tem se dedicado a ajudar pessoas que passam por situações de adicção relacionadas ao uso de drogas. O artista, que está limpo há um ano, após internação de nove meses em uma clínica de reabilitação, atua como voluntário do local e também oferece apoio, sanando dúvidas e dando orientações a usuários que desejam parar.

Para entender a realidade dos que sofrem com os danos causados pelo uso de drogas, Evandro decidiu buscar conhecimento além da sua experiência, já que teve a oportunidade de se tratar em uma clínica particular, o que não é a realidade da maioria dos usuários.

Para isso, o humorista visitou três unidades do Serviço Integrado de Acolhida Terapêutica (SIAT) do Estado de São Paulo, entre os dias 25 e 27 de abril. “Eu me convidei e eles toparam”, diz Santo sobre seu ímpeto de buscar conhecimento nestes locais.

“Senti uma necessidade de entender outra esfera da adicção, pronto para não ter um olhar óbvio e evoluir para outro patamar, ter um outro despertar social, mais profundo”, declara Santo.

O primeiro SIAT visitado foi o da Praça Duque de Caxias.

“Tive uma reunião com a equipe do Programa Redenção (que atua com ações integradas de saúde, assistência social, trabalho e direitos humanos para pessoas em situações de vulnerabilidade), conheci onde eles acolhem e depois fui conhecer o fluxo, na Cracolândia, acompanhado dos funcionários da Prefeitura de SP, e foi muito bom. Eu percebi a relação de afeto e respeito que os usuários mantêm com os acolhedores do Redenção e vice-versa; ou seja, afeto e empatia real são fundamentais em qualquer abordagem social”, declara o comediante.

Evandro relata que, comparado a suas vivências em clínicas e comunidades particulares, acha corajosa, otimista e humana a abordagem dos profissionais. “Quando se trabalha em um ambiente caótico, agudo, poderia se ter profissionais acomodados, cansados e conformados, e não foi isto que eu vi”.

No dia seguinte, Santo visitou o SIAT sediado no Glicério, onde conheceu Juliana Tupinambás, coordenadora do espaço.

“Eu achei, juro, o local com uma poesia urbana, perguntei se havia atividades culturais e tem um monte, me deu vontade de inserir muitas atividades ali. Na verdade, tive dificuldade de ir embora, porque eu amei o espaço, os acolhidos, fiquei lá, batendo papo com eles e ouvindo histórias, muitos sorrisos e olhos brilhando, achei tudo isto muito interessante e me deixou inquieto, porque conheço muita gente ‘cidadãos apáticos’. Aquelas pessoas têm uma paixão de recuperar a vida, entende?”, explica o comediante.

O ex-integrante do programa Pânico na TV trouxe à tona, através das visitas, uma questão que julga muito importante, que é a presença de mais profissionais qualificados atuando à frente dos espaços de tratamento para adictos e da necessidade da valorização destes, através de melhores salários e condições de trabalho.

“E quantos profissionais sérios gostariam de trabalhar em um projeto assim? Mas um profissional formado, que tem uma mínima noção de sua potencialidade e de seu valor, não vai se submeter a ganhar mal, sem estar registrado e fazendo vista grossa da falta de tratamento real que existe em uma boa parte das clínicas e comunidades terapêuticas”, explica Santo.

O último SIAT a receber visita do humorista foi o da Emerlindo Matarazzo.

“Um prédio inteiro, reformado, limpo, bem pintado, com moradia, atividades, cada andar tem um tipo específico de morador. Ali o acolhido pode ficar até dois anos, e a Raquel, que me recebeu, cercada de uma equipe jovem, fervida, animada, pronta para aprender cada vez mais”, conta Santos.

Lá, o artista diz ter visto uma realidade muito diferente de outros lugares que já visitou. “Claro que tem os seus perrengues, mas nunca me esqueço que a psicóloga Gisele, do Programa Redenção, me disse: ‘Aqui nós comemoramos a menor vitória’. Fica a dica.Terminei este dia com outras ideias, menos rígido e mais crítico, reavaliando opiniões minhas!”.

Evandro possui mais de 700 mil seguidores em sua conta no Instagram e utiliza o espaço para abordar temas relacionados à saúde mental e dar apoio aos que o procuram.

“O tempo todo eu oriento, mas são poucas as que me ouvem de verdade. Honestamente, me chamam antes de dar o ‘BO’ e depois, e mesmo assim, teimam, se iludem, como eu fazia antes”, finaliza o humorista, sobre os que vivem sob efeito da adicção.

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