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Analice Nicolau
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Homem trans grávido: quebrando tabus e estereótipos de gênero

Segundo médica, ter um filho biológico é perfeitamente viável para essas pessoas, desde que elas ainda não tenham se submetido à cirurgia de redesignação sexual

Analice Nicolau

23/02/2023 15h30

Segundo médica, ter um filho biológico é perfeitamente viável para essas pessoas, desde que elas ainda não tenham se submetido à cirurgia de redesignação sexual

Em um passado não muito distante, a ideia de um homem trans engravidar parecia impossível. No entanto, com o avanço da medicina e a quebra de estereótipos, essa realidade tem se tornado cada vez mais comum.

Homens transgênero e trans masculinos, que nasceram com órgãos reprodutivos femininos, têm a possibilidade de gerar um filho, desde que ainda não tenham se submetido à cirurgia de redesignação sexual.

A ginecologista, obstetra e membro da Associação Mulher, Ciência e Reprodução Humana do Brasil, Dra. Anaísa Dantas, explica que a cirurgia não é uma regra e depende da escolha de cada indivíduo em relação aos órgãos que nasceu. A transexualidade está ligada à identidade de gênero e não aos órgãos sexuais, ressalta a médica.

“A gravidez é perfeitamente viável para essas pessoas, desde que elas ainda não tenham se submetido à cirurgia de redesignação sexual, ou seja, retirada dos órgãos reprodutivos”, afirma Dra. Anaísa.

No entanto, antes da gestação, é necessário que os homens trans interrompam o uso da testosterona para que suas funções reprodutivas voltem a acontecer. A especialista alerta que a hormonização pode levar à infertilidade definitiva. Outra opção é o congelamento de óvulos antes do uso da testosterona, mas essa alternativa ainda não está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS).

O primeiro caso registrado de um homem transexual grávido foi nos Estados Unidos, em 2008, quando Thomas Beatie resolveu engravidar após descobrir que a esposa era estéril. Beatie parou de tomar testosterona e voltou a ovular naturalmente, não sendo necessário o uso de drogas para aumentar a fertilidade. Para ele, “querer ter um filho biológico não é um desejo feminino ou masculino, mas sim um desejo humano”.

Beatie acrescentou ainda que, quando o casal decidiu ter um filho, ele parou de tomar suas doses regulares de testosterona e voltou a ovular naturalmente, não sendo necessário o uso de nenhuma droga para aumentar a fertilidade.

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