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Analice Nicolau
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Head de Mídias Sociais da Forbes, Kyra Piscitelli mostra que mercado corporativo precisa ser também das mulheres

Vice-presidente da APCA e crítica de teatro, jornalista acredita que o caminho para a equidade de gênero no espaço de negócios pode ser atingido através do compartilhar: “não é sobre roubar espaço”

Analice Nicolau

10/10/2022 14h30

Natural de São Paulo, Kyra Piscitelli, 35 anos, ocupa o cargo de Head de Mídias Sociais da Forbes no Brasil. Além disso, também é vice-presidente da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e colaboradora crítica na do Guia de Artes Cênicas de São Paulo (Guia OFF), entre outras atividades. “Eu trabalho com redes sociais e arte (teatro). Acho que nunca fiz uma coisa só, mas não acho que isso seja positivo e nem negativo”.

Cidadã do mundo, Kyra já morou em Cusco, no Peru, e em Toronto, no Canadá. Atualmente residindo em São Paulo, ela é jornalista e pós-graduada em Globalização e Cultura (FESP) e em Marketing e Novas Mídias (FGV). “Fora isso, estou sempre estudando, lendo e etc. O conhecimento é muito importante para mim e nunca o dou como algo dado ou terminado. Ele é infinito tal qual o universo”.

Apesar das dificuldades ainda enfrentadas pelo público feminino, Kyra alerta que já há muitas empresas voltadas para a mulher e que esse cenário é muito necessário

Jovem para tantas conquistas, Piscitelli atribui que seus feitos são inspirados no exemplo materno. “Eu tenho como meu maior exemplo de vida a minha mãe. Minha mãe morreu em 2015, mas me deixou no mundo como legado. Ela foi uma mulher que se formou como analista de sistema nos anos 1970/1980 em uma sala de cinco pessoas, sendo a única mulher”.

E continua: “Eu cresci entendendo e na vivência do que é ser uma mulher, mãe, divorciada (em uma época em que isso não era tão comum e que bom que ganhamos opções de escolha – ainda menos do que se deveria), então acho que meu caminho foi escolhido e desenhado pela minha trajetória de vida”.

Natural de São Paulo, Kyra Piscitelli, 35 anos, ocupa o cargo de Head de Mídias Sociais da Forbes no Brasil

Questionada sobre os empecilhos de ser mulher em um mundo corporativo ainda predominantemente masculino, a jornalista afirma que sua bagagem a faz ver situações que, se não forem escancaradas, as pessoas não enxergam, como o machismo no mercado de trabalho, os salários mais baixos para as mulheres, entre outras.

Apesar das dificuldades ainda enfrentadas pelo público feminino, Kyra alerta que já há muitas empresas voltadas para a mulher e que esse cenário é muito necessário. “A Forbes Mulher (perfil no Instagram) é um exemplo disso. A Theia, que apoia a saúde da mulher, a B2Mamy, socialtech focada em tornar mães e mulheres líderes e livres economicamente por meio de comunidade, educação e empregabilidade, e Garotas Estúpidas, criado para falar de moda, informações e quebrar padrões, são exemplos de empreendimentos que existem e são fortes porque essa demanda está aí”.

E como quebrar os padrões machistas do mercado de trabalho? Piscitelli aposta na conexão e rede de apoio entre mulheres. “A gente se desdobra em mil papéis e ainda sofre com a cobrança dos mesmos padrões, e isso é difícil de quebrar. Precisamos nos conectar umas com as outras para ter essa rede e ganhar a força. Parece clichê, mas não é. (…) É comemorando cada conquista, pegando e dividindo espaço. É sobre isso. Não é sobre roubar espaço, mas compartilhar. Compartilhar é a palavra”.

Falando da sua inclinação para as artes, Kyra afirma que o teatro é uma paixão que alimenta a sua alma e que esse sentimento foi incentivado pelo pai

Falando da sua inclinação para as artes, Kyra afirma que o teatro é uma paixão que alimenta a sua alma e que esse sentimento foi incentivado pelo pai. “O teatro ou a arte são coisas – quase entidades – que escolhem você. (…) Aí entra a influência do meu pai. Enquanto a minha mãe era da matemática, ele era da música. Me deu o legado da arte. Sempre me levou em tudo que podia. Como ele não tinha dinheiro, fiquei muitas vezes em filas para coisas gratuitas. (…) O teatro, então, estava ali: muito presente também. E o meu pai sempre me incentivou a ter opinião, a pensar, a entender o que eu gostava ou não. Fez um trabalho de formação importante”.

E prossegue: “Quando adolescente, eu comecei a procurar minhas escolhas e, quando vi, a arte fazia parte delas. Até que certa vez, quando eu era estagiária, o meu chefe da época (…) resolveu abrir um site de teatro e me chamar para escrever. Na época (2009), eu já trabalhava com redes sociais; aliás, quando nem se usava esse termo e não tinha essa valorização toda de hoje. Eu comecei numa área sem saber que no futuro próximo, essa seria ‘a’ área do momento. Mas voltando ao teatro, em determinado momento (2011), eu conheci o Michel Fernandes. (…) Ali, fui crescendo, entrando no meio, me posicionando e provando valor ao mercado para ocupar o lugar de liderança e escuta que tenho no teatro”. 

“O propósito tem que nortear a caminhada”, declara Kyra, que espera continuar inspirando outras pessoas

Vice-presidente da APCA, a crítica de teatro já fez parte de importantes mudanças na área, como a alteração do nome de uma premiação de ‘diretor’ para ‘direção’ – “sem gênero e muito mais democrática”, como afirma, e complementa: “Parece uma conquista pequena, mas foi só em 2018 que tivemos a primeira mulher a vencer essa categoria: a Bia Lessa e sua versão de Grande Sertão: Veredas”.

E daqui há cinco anos, como Kyra Piscitelli se vê – estando na sua segunda passagem de sucesso na Forbes? “Fazer planos é uma dificuldade que eu carrego. Talvez porque eu não planejei nem estar no teatro ou em redes. A grande diferença é que eu agarrei as oportunidades que tive e busquei me aprimorar para estar nesses lugares. Eu espero inspirar pessoas hoje e daqui a cinco anos. O propósito tem que nortear a caminhada. Outro dia, uma mulher do Linkedlin me pediu ajuda para ajeitar o perfil dela na rede. Ela buscava recolocação e transição de carreira. Esses dias me disse que conseguiu. Isso tem muito valor. Então, que eu esteja ativa e melhor do que estou hoje em termos de conhecimento, o resto a gente corre atrás”, finaliza.

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