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Gordofobia: Ale Monteiro desabafa sobre as barreiras enfrentadas por pessoas gordas no mercado de trabalho

“Quero chegar lá no topo e provar que não há razão pela qual eu ou outra pessoa gorda não possa trabalhar”, diz o diretor artístico Ale Monteiro

Por Analice Nicolau 20/01/2022 11h00
“Quero chegar lá no topo e provar que não há razão pela qual eu ou outra pessoa gorda não possa trabalhar”, diz o diretor artístico Ale Monteiro

Mesmo que a gordofobia, isto é, a discriminação contra um indivíduo por conta do seu peso, seja tema frequente de discussões dentro e fora da internet, o preconceito persiste quando falamos no mercado de trabalho.

Uma pesquisa desenvolvida pelo Grupo Catho, realizada com mais de 30 mil executivos, identificou que 65% dos presidentes e diretores de empresas tinham alguma restrição na hora de contratar pessoas gordas. A objeção às pessoas que estão acima do peso considerado padrão, levando em consideração o Índice de Massa Corporal (IMS) de cada um, estaria ligada ao preconceito de que os funcionários apresentariam lentidão e falta de habilidade para desempenhar tarefas. Contudo, não há nenhuma evidência de que isso seja verdade.

O diretor artístico Ale Monteiro, que defende ativamente a luta antigordofobia, desabafa sobre a dificuldade em encontrar empregos no mercado de trabalho quando se é gordo ou plus size.

“Não sou ingênuo. Eu hoje sou meu próprio chefe, mas sei da resistência que existe no mercado de trabalho e que não vou encontrar um emprego com carteira assinada. Nem quero. Mas quero chegar lá no topo e provar que não há razão pela qual eu ou outra pessoa gorda não possa trabalhar”, afirma ele, que vivenciou diversas situações de preconceito desde a época da escola.

“Sofri muita pressão porque a gordura não combinava com a moda, área em que atuo como diretor. Não estou empolgado com a minha aparência assim, mas estou apreciando-a e, às vezes, isso é o melhor que posso fazer. Já quis me matar na adolescência por conta de meu peso. Durante toda a minha vida, tive um corpo digno de comentários”, relembra.

“Mas ser gordo não é um defeito e muito menos uma escolha. Se fosse fácil ser sarado, mais da metade da população seria fitness. Nem todo gordo é doente e nem todo magro é saudável. Aprendi que o melhor jeito de encarar a situação é se amar e se conhecer. Quando você sabe quem é, passa a não ligar para a opinião alheia.”

Ale reflete sobre possíveis práticas que as empresas podem adotar para impedir atos de gordofobia e puni-los, caso eles aconteçam.

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“Uma maneira eficiente de combater a gordofobia, na minha visão, tem a ver com a conscientização individual e coletiva. Que cada um pare de julgar e pense bem antes de sair por aí destilando preconceito disfarçado de preocupação com a saúde, maltratando a autoconfiança alheia a troco de nada”, completa.








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