Giovanna Ewbank revelou recentemente durante o podcast ‘Quem Pode, Pod’, comandado por ela junto com Fernanda Paes Leme, ter colocado o filho Bless, de 7 anos, de castigo após ele ter gastado R$ 1 mil com jogos. Durante a atração, que contou com a presença do ator Antonio Fagundes como convidado, a apresentadora contou sobre como o filho é apaixonado por jogos, principalmente por videogames.
Ewbank explicou que colocou Bless de castigo por dois meses sem jogar videogame, pois ele sabia que não podia comprar jogos sozinho. “Ele sabe que não pode comprar games e aí ele pede. A gente vê se pode, se não tem muita violência. Mas teve uma noite que eu e o Bruno estávamos vendo série e, de repente, começa a vir um monte de cobrança no cartão de mais de R$ 1 mil.”, declarou ela.

De acordo com Telma Abrahão, autora dos best-sellers “Pais Que Evoluem” e “Educar é um ato de amor, mas também é ciência”, crianças possuem um cérebro em desenvolvimento e uma das funções executivas mais importantes chamadas de controle inibitório ainda não estão presentes nas crianças. Isso significa que o controle de impulsos ainda não acontece como em um adulto.
“Jogos eletrônicos possuem alto poder de viciar rapidamente as crianças, pois estimulam o sistema de recompensa do cérebro ligados a produção de dopamina, conhecido como “hormônio do prazer”. A criança durante o jogo não consegue parar para pensar no combinado que foi feito com seus pais, pois o córtex pré frontal não está desenvolvido o suficiente para frear o impulso de seguir jogando, que fica ainda maior devido ao vício.” – declara Telma.

Um outro ponto importante a ser considerado e compreendido é que a criança não tem a mesma visão sobre dinheiro que um adulto. Ela ainda não trabalha, então não consegue ter a percepção de valor que os pais possuem em relação a quantias gastas, noção do que é barato ou caro. Essa percepção vem com o passar do tempo e com as experiências proporcionadas através da educação financeira dada pelos pais no dia a dia da família.
Além disso, a especialista em Neurociência Comportamental Infantil alerta para o perigo do videogame. “É algo que vicia e que também pode prejudicar o desenvolvimento da parte cognitiva da criança, o foco, a socialização, então os pais precisam buscar outras formas de entreter os filhos, e controlar o tempo de telas”, explica ela.
Segundo a idealizadora da ‘Educação Neuroconsciente’, colocar de castigo também não resolverá o problema: “Castigo não educa. Vai deixá-lo com raiva e da próxima vez que pegar no videogame, a compulsão volta com tudo. É como querer esconder doce de uma pessoa que gosta de comer doce, ela pode ficar sem comer naquele momento, mas na hora que ela ver uma bandeja de brigadeiro, ela vai comer cinquenta brigadeiros”.

A especialista sugere que os pais se atentem ao tempo de uso pelas crianças, que foquem na qualidade do relacionamento, que ensinem e pratiquem a importância de ter rotina, disciplina e seguir as regras da família. Claro que as consequências são naturais e existem na vida adulta também, mas elas não devem vir com o intuito de ensinar pela dor ou pelo medo, mas sim pela real compreensão do quanto cada atitude que a criança toma pode trazer consequências negativas para si e para a família.
Telma Abrahão é biomédica, formada há mais de 20 anos e mãe de um casal. Pioneira em unir ciência à educação dos filhos, considerando a biologia humana e a neurociência por trás do comportamento infantil.