A apresentadora Márcia Goldschmidt, que mora em Porto desde 2010, publicou um vídeo nesta quarta-feira (23), em seu perfil no Instagram, comentando uma matéria publicada pela Folha de S. Paulo no dia anterior que aponta dados sobre brasileiros que vão morar em Portugal e decidem retornar ao Brasil por falta de oportunidades no país estrangeiro.

A matéria fala sobre a inflação que o país europeu vem sofrendo – o mais elevado em mais de 30 anos, com alta recorde no preço dos imóveis e custo de vida que “consome rapidamente as economias dos novos moradores”. Com o título “Despreparados, brasileiros recém-chegados a Portugal pedem ajuda para voltar”, o texto de Giuliana Miranda alerta para o fato de que o Consulado Brasileiro em Portugal não ter condições de arcar com os custos de retorno dos brasileiros que pedem auxílio, tendo como alternativa recorrer ao Programa de Apoio ao Retorno Voluntário e à Reintegração da OIM (Organização Internacional das Migrações), vinculada à ONU.

A comunicadora, casada com o advogado português Nuno Rêgo e mãe de duas filhas, Victoria e Yanne, comenta sobre a matéria em seu vídeo e diz que em dez anos de Portugal, nunca viu tantos brasileiros no país. “O número de brasileiros em Portugal é uma coisa absurda, nunca vista antes. Eu tenho dez anos de Portugal e nunca vi tanto brasileiro assim”. Além disso, Márcia também aponta para a crise em que o continente europeu está mergulhando, o que torna a estadia de brasileiros no país ainda mais dificultosa.
“A Europa está passando por um momento muito delicado, véspera de crise, recessão total. A inflação chegou com tudo. Os salários em Portugal são básicos, mínimos. O preço do aluguel explodindo. O preço da eletricidade ‘aqui na lua’”, diz a apresentadora, e continua, ao mencionar pessoas na internet que vendem uma falsa impressão de facilidade para brasileiros que desejam viver em Portugal: “Então, tem uma série de youtubers que ficam assim: ‘eu vou mostrar pra vocês como é morar em Portugal’. Aí chega lá no supermercado: ‘com um euro você compra isso, com dois euros você compra aquilo’. Gente, não tem trabalho pra todo mundo não!”.

O que chama a atenção da matéria publicada pela Folha de S. Paulo é a rapidez com que brasileiros recém-chegados à Portugal decidem retornar à pátria de origem, pelas precárias condições que se encontram em poucos meses no país. Segundo dados fornecidos e divulgados pelo jornal, “embora 2022 ainda não tenha acabado, o número de pedidos de ajuda de brasileiros já voltou aos patamares pré-pandemia”.
Recentemente, Portugal disponibilizou uma nova categoria de permanência para estrangeiros que buscam emprego, que tem duração de seis meses e exige pouco mais de R$ 10 mil para entrada no país, além de realizar uma seleção prévia dos possíveis trabalhadores. No entanto, Goldschmidt crê que essa facilidade não é o bastante para garantir o sucesso da vinda de brasileiros ao país.

“Portugal lançou um visto que realmente permite que as pessoas estejam no país durante seis meses a fim de procurar trabalho, mas a gente não tem nada fácil, nem em Portugal e nem em lugar nenhum do mundo. Vamos parar com essa ilusão, entendeu? A luz tá cara, a água tá cara, o aluguel caríssimo. O salário mínimo em Portugal, mais ou menos, é setecentos e ‘trá lá lá’. Desses, trezentos e pouco é só no aluguel, no mínimo!”, finaliza a comunicadora.