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Analice Nicolau
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“Fui bloqueado e não tive oportunidade de conversar”, diz líder do Teatro Mágico sobre produtor Bonadio

Segundo Anitelli, com a banda aparecendo na mídia falando sobre liberação gratuita de música na internet, o ex-produtor da banda Mamonas Assassinas declarou que “quem dá música de graça é idiota

Analice Nicolau

05/01/2022 16h00

Segundo Anitelli, com a banda aparecendo na mídia falando sobre liberação gratuita de música na internet, o ex-produtor da banda Mamonas Assassinas declarou que “quem dá música de graça é idiota

Gustavo Anitelli, líder da banda O Teatro Mágico, participou, em entrevista, do Corredor 5, canal que aborda os bastidores do meio artístico no YouTube, e falou sobre o movimento pela democratização musical, que ajudou a criar no início dos anos 2000, e sobre a resposta de alguns artistas quanto a essa nova proposta de acesso à música.

Segundo o cantor, com a banda aparecendo na mídia falando sobre a liberação de material gratuito, alguns expoentes do meio ficaram chateados e não apoiaram a iniciativa. Um deles foi Rick Bonadio, ex-produtor da banda Mamonas Assassinas, que, segundo Gustavo, declarou que “quem dá música de graça é idiota”.

O Movimento Música para Baixar (Movimento MPB) é uma ramificação do Cultura Livre, e propõe a democratização da música sem a interferência de terceiros, através da distribuição na internet do material, da flexibilização do direito autoral e do livre compartilhamento. Essa iniciativa visa se contrapor à estrutura do mercado musical, que, segundo os adeptos do movimento, é excludente.

Anitelli conta que começou a falar em diversos locais, como faculdades, sobre como as pessoas poderiam produzir e divulgar seus trabalhos e foi aí que seu irmão propôs a criação do “MPB”. O integrante do Teatro Mágico explica que, dessa forma, as pessoas iriam compreender que isso poderia ser uma escapatória contra a blindagem que a mídia faz. “Não temos democracia na mídia, nunca tivemos e nunca teremos”, declara.

O movimento criou, então, um site e comunidades na antiga rede social Orkut para divulgação de músicas gratuitas, venda de CDs com preços acessíveis ao público e para “se conectar com a galera”, explica o vocalista.

Quando essa iniciativa ganha visibilidade na mídia, artistas como Lobão e Bonadio, segundo Anitelli, aparecem e se contrapõem, acreditando que o “MPB” iria atrapalhar as vendas de CDs e que fomentava a pirataria. Gustavo conta, em entrevista, que Rick publicou na rede social Twitter algumas declarações negativas, na época, e que o artista respondeu que a ação não tinha nada a ver com pirataria.

“Nós somos O Teatro Mágico. Ao colocar nossa música de graça, a gente tá caminhando pelo acostamento, mas nessa avenida (no mercado musical) o pedágio é muito caro para participar, então a gente tá indo por aqui”, diz o artista. E acrescenta que pirataria é quando alguém copia um Cd para vender e ganhar dinheiro. “Quando alguém pega a minha música e dá de presente, isso daí não é pirataria, isso é amor, isso é carinho, sabe?”.

Anitelli conta que Bonadio replicou dizendo que a banda era uma exceção e ele, então, respondeu que “não, nós somos uma possibilidade e é isso que é importante, qualquer banda ter a sua emancipação”. O cantor declara que postou na rede social que gostaria de realizar um debate ao vivo com o ex-produtor do Mamonas, mas “fui bloqueado e não tive outra oportunidade de conversar”.

Gustavo diz que muitas pessoas começaram a entortar os olhos para o movimento porque O Teatro Mágico, “como o próprio Lobão disse”, estava criando precedentes. “Precedentes do que? Da possibilidade de você fazer uma porção de artista respirar, ter oxigênio e ter a sua vida musical possível. Temos que impedir isso?”, reflete.

Ao final, o líder do Teatro Mágico conta que a banda cresceu nesse lugar de defesa da democratização da música. “A gente começou a defender essa galera e a galera veio com a gente”, conta. A partir daí, o grupo foi chamado para participar de vários festivais, para abrir shows de bandas que eles amavam e tiveram participações especiais nos seus CDs, como no segundo álbum, em que Zeca Baleiro canta.

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