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Analice Nicolau
Analice Nicolau

“Foi difícil ouvir coisas duras do tipo: quem é você para ministrar a palavra, você não consegue nem convencer uma filha sua a seguir a Jesus”, afirma pastora Helena Tannure

Pastora fez a declaração durante entrevista ao Podcast ‘Podcrer’, da Rede Super de Televisão, e revelou que pensou em desistir de pregar depois que sua filha Clara deixou a igreja e saiu de casa por causa de suas novas crenças

Analice Nicolau

10/04/2023 16h00

A notícia de que Clara Tannure, filha mais velha do casal Helena Tannure e João Lúcio Tannure havia se afastado da igreja e do ministério Diante do Trono, banda de música cristã da famosa Igreja Batista da Lagoinha, da cidade de Belo Horizonte, liderado pela cantora, compositora e pastora Ana Paula Valadão, caiu como uma bomba no meio gospel.


A notícia soou ofensiva para críticos do meio não somente porque Clara cresceu no tradicional ‘berço evangélico’, que é quando uma pessoa já nasce em lar cristão, no seu caso complicou ainda mais por ser filha de pastores em uma igreja de grande influência no país, inclusive, sua mãe fez parte do grupo musical de Ana Paula Valadão e atualmente é uma das pregadoras mais requisitadas dentro e fora do país.


Desde então, Helena tem vivido momentos de grande pressão e tensão devido às cobranças feitas por críticos, fiéis e militantes da internet. Em geral, as pessoas questionam qual a validação das pregações de Helena, uma vez que sua própria filha se desviou dos ensinamentos que ela tanto preza.


Em entrevista ao Podcast ‘Podcrer’, concedida ao pastor Fábio Lacerda – irmão dos cantores César Menotti e Fabiano – um dos pastores da Igreja Batista da Lagoinha e apresentador da Rede Super de Televisão, Helena falou sobre seus outros três filhos, dois deles se casaram recentemente, ambos aos 21 anos, sobre sua filha caçula e sobre como tem lidado com a situação de Clara, e o quanto a saída da jovem impactou seu ministério.


“Eu estaria mentindo se dissesse que não sinto uma diferença. O amor não, o amor é igual. Eu amo a Clara, eu amo o Miguel, eu amo o Arthur, eu amo a Sofia. E eu sei que nenhum deles é um acidente, eu sei que eles nasceram debaixo de um propósito divino, e que Deus tem um plano para cada um deles, e que meu papel como mãe é ser uma facilitadora para que encontrem essa jornada ao coração de Deus, porque Deus não tem netos, Deus tem filhos”, afirmou Helena sobre a relação com os filhos.


Em seguida, a pastora comentou sobre a situação da filha que cresceu participando dos DVDs do Crianças Diante do Trono, e que, em 2019, aos 24 anos, começou a gravar músicas e clipes de trabalhos seculares (que não são gospel) e se declarou bissexual. “A Clara pode ter nascido no evangelho, ter tido acesso à igreja, às oportunidades e à palavra, desde tenra idade, ela pode ter sido consagrada ao Senhor, mas ela precisa de uma experiência de novo nascimento. Ela precisa de uma experiência dela, assim como o Miguel precisou da experiência dele, o Arthur precisou da experiência dele, e a Sofia precisou da experiência dela”, explicou Helena.


Mais adiante, a pastora contou quando a filha decidiu trilhar o próprio caminho longe da família e da igreja. “Quando a Clara entrou na universidade, ela descobriu um mundo que interessou mais aos olhos dela e se identificou mais com aquele mundo. A Clara desde criança sempre gostou do que é diferente. Por exemplo, a gente estava andando na rua e ela via alguém de dread, ela acompanhava com os olhinhos. Ela via alguém de cabelo colorido, aquilo chamava a atenção dela. A Clara é tão artista quanto eu, ela gosta do diferente, ela gosta do colorido, ela gosta do inusitado, ela gosta do criativo. E a Clara como a primogênita (primeira filha do casal), e como todo filho primogênito, a gente erra mais com os primogênitos, essa é a verdade; no nosso excesso de zelo, no nosso excesso de preocupação, às vezes, querendo dar disciplina e limite a gente pode se exceder”, pontuou Tannure.


Helena explicou que a opinião dos outros a conduziu a erros com os filhos: “eu errei com meus filhos no excesso de preocupação, em querer protegê-los, muitas vezes eu errei com os meus filhos preocupada com a opinião dos outros. A gente não tem que preocupar com a nossa reputação, a gente tem que preocupar em fazer o que é certo com os nossos filhos, e muitas vezes eu tive essa preocupação: o que é que vão pensar de mim?”, questionou Helena Tannure.


“E o Senhor me desconstruiu com as escolhas dela. Então a Clara entrou na universidade e começou a fazer escolhas completamente diferentes daquelas que eu e o pai dela ensinamos a ela. Isso provocou uma ruptura, ela não quis mais viver dentro da mesma casa, porque se vivemos dentro da mesma casa, tem regras a ser seguidas. E chegou um momento em que ela já tinha mais de 24 anos e ela disse: eu quero morar sozinha, eu quero morar com os meus amigos, quero ter uma experiência fora de casa” completou a pastora, sobre a decisão da filha.


De acordo com Helena, foi muito difícil para ela e o marido encararem a situação, porque a filha estava saindo de casa em uma situação diferente daquela que o casal planejava para ela. “Para a gente foi muito difícil ver a Clara saindo de casa, não porque ia construir a própria família, mas porque ia viver as experiências e as escolhas dela, foi dolorido, foi difícil, foi árduo ser julgada por pessoas que não me conhecem e nunca se sentaram comigo, não sabem e não acompanharam a educação nós damos para os nossos filhos. Eles acompanham a nossa vida pela internet e pensam que sabem tudo sobre nós.


Ainda segundo pastora Helena, o julgamento das pessoas em relação a decisão da filha foi desanimador. “Foi difícil ouvir muitas coisas duras do tipo: quem é você para ministrar a palavra, você não consegue nem convencer uma filha sua a seguir a Jesus. Houve tempos que eu queria parar de ministrar, porque eu me sentia exatamente assim. Eu não tenho autoridade para ministrar. Aí o Senhor precisou de tratar comigo: é pela graça que você ministra, e sempre foi pela graça. Nunca foi pelos eu mérito, eu não te uso pelo seu mérito, Helena. Eu não te uso pelo seu mérito, eu não te uso porque você é perfeita. Eu te uso porque você tem o coração rendido, entregue e disposto a ser trabalhado. Não é sobre você, Helena. Seu chamado não é sobre você, seu chamado é sobre quem eu sou. Eu sou seu Deus, então, continua”, revelou.


Helena compartilhou uma situação em que recebeu uma palavra profética de um pastor, na qual Deus dizia que ela deveria continuar, foi então que ela sentiu a confirmação de que não deveria encerrar seu ministério, pelo contrário, permitir que aquela situação difícil fosse compartilhada e fortalecesse a fé de outras pessoas. “É muito fácil a gente falar que ama Deus quando tudo coincide com a nossa vontade, quando tudo está do jeitinho que eu quero que esteja, quando os meus filhos estão todos fieis aos Senhor e vivendo para o Senhor, esse é o ideal. Mas, e quando não for o ideal? O Senhor é menos digno de ser adorado e proclamado? Não, ele não é menos digno, ele é digno” pontuou a pastora.


Helena Tannure ainda completou: “eu continuo crendo no poder dele, continuo crendo que ele muda histórias, e tudo o que eu quero é ver a Clara desfrutando do propósito que Deus tem pra ela. Ela não vai encontrar felicidade e plenitude em nenhum outro lugar, então eu peço para ele: Senhor, que esse jeito criativo, inventivo da Clara, vivo, divertido, empático… ela é uma pessoa generosíssima, ela é preocupada com a necessidade do próximo como eu não sou, ela é atenta como eu não sou”, e concluiu; “então, eu sei que Deus não colocou todos esses elementos na Clarinha à toa, isso aponta para o propósito e chamado dela, ela ainda não descobriu, mas eu peço ao Senhor que ela descubra o quanto antes.

Enquanto eu espero, eu já agradeço, enquanto eu espero, eu já creio, enquanto eu espero, eu tenho certeza que independente da resposta de Deus para as minhas orações, ele sempre será digno do meu tudo”, encerrou Helena Tannure.

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