O filme “Maria – Ninguém sabe quem sou eu” será exibido no dia 3 de dezembro na praça da Purificação, em Santo Amaro-BA, cidade natal de Bethânia, com apoio da agência de turismo local Sou de Santinho.

Com direção e roteiro do jornalista Carlos Jardim, “Maria – Ninguém sabe quem sou eu” reúne imagens raras de ensaios e shows de Bethânia
A exibição gratuita vai contar com 300 cadeiras disponíveis no local e com a presença de amigos e parentes da artista. Será uma homenagem à nova imortal. Bethânia foi eleita para a Academia de Letras da Bahia, onde vai ocupar a cadeira 18, que foi do historiador e ensaísta Waldir Oliveira, que morreu em junho do ano passado, aos 92 anos. A posse da nova acadêmica seria no começo de dezembro, mas foi adiada por conta da nova alta de casos da Covid no país.
Irmã mais nova de Caetano Veloso, Maria Bethânia acaba de bater mais um recorde em seus 57 anos de carreira. O filme sobre sua carreira, lançado em 1º de setembro, chegou a 20 mil espectadores. Número surpreendente num momento em que o cinema – especialmente os filmes nacionais – tem tanta dificuldade para reagir aos efeitos da pandemia e ao fortalecimento do streaming.

Depoimento inédito da cantora, gravado no palco do Teatro Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, costura narrativa do documentário
Vale ressaltar que o cinema também foi um dos setores mais afetados pela antipolítica cultural do governo Bolsonaro. Por isso, chama a atenção a carreira de “Ninguém sabe quem sou”: de 2019 pra cá foram lançados 150 documentários nacionais e o filme sobre Bethânia é o mais assistido entre todos eles.
Com direção e roteiro do jornalista Carlos Jardim, “Maria – Ninguém sabe quem sou eu” reúne imagens raras de ensaios e shows de Bethânia costurando um depoimento inédito da cantora, gravado no palco do Teatro Copacabana Palace, no Rio de Janeiro. A atriz Fernanda Montenegro faz uma participação especial, narrando textos de Caio Fernando Abreu, Ferreira Gullar, Nelson Motta, Fauzi Arap e Reynaldo Jardim.
Depois de 13 semanas em cartaz nos cinemas, esse também um número marcante e raro entre documentários nacionais, a exibição do filme na cidade de Santo Amaro é uma homenagem a uma artista que sempre valorizou a literatura.

O filme sobre sua carreira, lançado em 1º de setembro, chegou a 20 mil espectadores
“Maria — Ninguém sabe quem sou eu” dedica grande espaço à ligação de Bethânia com a literatura. “Ela é uma cantora que sempre deu muito valor às palavras e aos escritores”, diz o diretor Carlos Jardim. “É muito importante a contribuição de Bethânia para a formação de novos leitores no país. Por exemplo: muitos brasileiros, como eu, conheceram e passaram a amar o poeta Fernando Pessoa por causa da presença dos textos do poeta português em seus shows e discos desde o começo dos anos 1970” completa.
Entre as cenas de ensaios e shows da artista, grandes sucessos de sua carreira como “Olhos nos olhos” (Chico Buarque), “É o amor” (Zezé di Camargo), “Gita” (Raul Seixas”), “Amor de índio” (Beto Guedes) e “Álibi” (Djavan).