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Faturamentos não recebidos ou recusados pelos planos de saúde aumentam a preocupação de hospitais privados

Volume de glosas aplicadas é o principal problema na relação entre as partes envolvidas

Por Analice Nicolau 29/06/2022 5h00
Volume de glosas aplicadas é o principal problema na relação entre as partes envolvidas

A suspensão temporária do pagamento da fatura hospitalar pelos planos de saúde, conhecida por “glosas”, para verificação da conformidade das despesas, é uma atividade normal na relação entre ambos. Porém, o aumento significativo nos índices, é a principal causa de preocupação dos hospitais da rede privada, de acordo com pesquisa realizada pela Associação Nacional de Hospitais Privados – Anahp entre seus membros.

Em geral, as glosas acontecem quando as informações sobre um atendimento, fornecidas pelo prestador, não batem com o registro no banco de dados do plano de saúde. Os hospitais encaminham rotineiramente às operadoras relatório apresentando as despesas ocorridas no tratamento de cada paciente e, havendo dúvidas por parte dos planos, estas retêm o pagamento da parte glosada à espera de esclarecimentos.

Ainda de acordo com a pesquisa da Anahp, ocorre um importante acréscimo no volume de glosas, sem uma explicação devida por parte dos planos. Pelo levantamento, está ocorrendo um percentual médio de glosa inicial de 11%, um recorde histórico. Em consequência, o prazo médio para que os hospitais recebam o que é devido aumentou para 93 dias após a apresentação das faturas.

“Nossos hospitais não contestam a existência da glosa, instrumento tradicional, previsto na legislação. O que chama a atenção, porém, é o aumento significativo no volume delas, sem qualquer razão clara. A consequente demora no recebimento dos pagamentos por um serviço já realizado prejudica e muito o fluxo de caixa dos hospitais em benefício da situação financeira dos planos”, esclarece o diretor-executivo da Anahp, Antônio Britto.

Outro fator apontado pela pesquisa é a falta de clareza mínima na justificativa das glosas. Em 76% dos casos, a glosa é apresentada como sendo por “questões administrativas” o que, entre outras consequências, impede até que os hospitais aperfeiçoem seus mecanismos de gestão e controle. Além disso, a situação é agravada pelo fato de os planos de saúde estarem retendo não apenas a parcela glosada, mas o total de cada fatura, o que amplia o impacto negativo da decisão tomada pelos planos de saúde já que o hospital permanece sem receber sequer a parte não glosada.

“Cada glosa precisa ser clara e expressamente determinada por fato previsto na legislação ou no contrato, sob pena de deturpação dos seus objetivos e rotinas”, afirma Britto. Porém, o que se vê é que as relações de parceria e transparência, que devem presidir tanto os hospitais quanto os planos de saúde, segundo o diretor-executivo, “estão sendo prejudicadas por um volume inexplicado de glosas”, lamenta Britto.

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