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Analice Nicolau
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Fatores fisiológicos levam mulheres a doarem menos sangue que homens, alertam especialistas

No entanto, o público feminino é o mais engajado quando se trata de ter iniciativa de doar, um ato importante que pode salvar vidas

Analice Nicolau

13/06/2022 11h30

No entanto, o público feminino é o mais engajado quando se trata de ter iniciativa de doar, um ato importante que pode salvar vidas

Quando o assunto é doação de sangue, dados do 9° Boletim de Produção Hemoterápica Brasil da Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária) revelam que 57% dos doadores são homens e 42% mulheres. No entanto, a Dra. Renata Rizzo, da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), explica que “existe uma diferença entre os gêneros devido ao fato de baixo peso, hemoglobina/hematócrito abaixo do permitido, gestação, uso de medicamentos, entre outros motivos que são em sua maioria fatores relacionados ao sexo feminino”.

De acordo com a portaria do Ministério da Saúde, para ser um doador de sangue é preciso preencher alguns requisitos, como pesar mais de 50 kg e ter entre 16 e 69 anos. O público entre 16 e 17 anos precisa de autorização de um pai ou responsável, e aqueles que tiverem idade entre 60 e 69 só podem doar caso já tenham doado alguma vez antes de entrarem para essa faixa etária.

O intervalo de doação para os homens e mulheres também é diferente, o que ajuda a entender melhor a diferença de porcentagem demonstrada pela Anvisa. Para o grupo masculino, o intervalo necessário é de 60 dias, com no máximo quatro doações em 12 meses. Já o público feminino pode doar entre intervalos de 90 dias, com no máximo três doações ao ano.

Entre as condições que podem impactar a doação de sangue por mulheres está o fator menstruação. A Dra. Renata esclarece que a menstruação não é contraindicação para a doação. No entanto, condições como hipermenorréia (sangramento prolongado, acima de oito dias, ou quantidade excessiva, maior que 80 ml, durante o período menstrual) ou outras alterações menstruais são consideradas na avaliação médica.

A especialista da ABHH também alerta, sobre o uso de medicações, que cada medicamento será avaliado individualmente e em conjunto e sempre que apresentar alguma correlação com a doação de sangue, será registrado na ficha de triagem da doadora.

Já os valores mínimos aceitáveis do nível de hemoglobina/hematócrito são: Hb =12,5g/dL ou Ht =38% para as mulheres. A candidata que apresentar níveis de Hb igual ou maior que 18,0g/dL ou Ht igual ou maior que 54% será impedida de doar e encaminhada para investigação clínica.

Sobre mulheres em períodos de gestação ou amamentação, o Ministério da Saúde proíbe a doação de sangue, além de incluir também a restrição à mulheres que tiveram bebê há menos de um ano. Ao longo da gravidez, o corpo apresenta um volume de 30% a 50% a mais de sangue. Não é recomendado, no entanto, que a grávida doe sangue, já que se trata de um período de vulnerabilidade, em que o organismo está concentrado no desenvolvimento do bebê.

“Durante o segundo mês de gravidez, as mulheres iniciam uma hemodiluição, o que significa que elas começam a ter aumento na produção de células vermelhas e desenvolvem um crescimento maior de plasma, sendo assim, elas tendem a desenvolver um quadro chamado de anemia fisiológica da gravidez”, explica o ginecologista Belmiro Gonçalves, membro da Comissão de Hiperglicemia e Gestação da Febrasgo.

E completa: “Por isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) orienta que os médicos façam reposição de sulfato ferroso, já que gestantes costumam ter uma maior formação de células hematológicas. No pós-parto e durante o período de amamentação também há uma redução do ferro endógeno, fazendo com que a paciente consuma mais ferro, sendo esse também um momento não ideal para a doação”.

É preciso ter cuidado também com outros fatores restritivos, como alguns tipos de tratamentos, tatuagens, micropigmentação, cirurgia, vacinas como a de Hepatite após 11 anos de idade, entre outros.

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