A base da saúde mental adulta é construída na infância e, claro, na adolescência. Há um impacto na infância nas perdas relacionadas ao afeto, incluindo alto nível de agressividade, que é demonstrada pela raiva e ou pelo medo. Esses sintomas, estão relacionados à privação de afeto – algo que ocorre quando um dos pais precisa se ausentar.
Uma criança menor, ao sofrer uma perda dessa maneira, pode ter um blackout emocional, podendo desenvolver um distúrbio grave no desenvolvimento da personalidade que pode persistir por toda a vida. Quanto menor for a criança maior impacto será a perda. A unidade familiar proporciona uma segurança indispensável à criança pequena. A ausência desta segurança terá efeitos sobre o desenvolvimento emocional e acarretará danos à personalidade.

“Inicialmente, quando vemos uma criança brincando em meio à Guerra, está ocorrendo uma elaboração do que ela está vivendo e, deste modo, tentando assimilar ludicamente”, observa a psicóloga
Winnicott, psiquiatra consultor na segunda guerra mundial, acerca de crianças separadas na segunda guerra mundial, referiu-se à perda em relação ao desenvolvimento emocional primitivo. Muitos problemas da fase adulta estão vinculados a disfunções ocorridas entre a criança e o “ambiente”, representado geralmente pelos pais.
A vivência da perda é a mesma seja para quando um casal se separa e o convívio deixa de existir com um dos genitores quando, ambos, são de extrema importância afetiva.
“Inicialmente, quando vemos uma criança brincando em meio à Guerra, está ocorrendo uma elaboração do que ela está vivendo e, deste modo, tentando assimilar ludicamente”, observa a psicóloga, especialista em Terapia Comportamental Cognitiva, Lala Fonseca.

Psicóloga, especialista em Terapia Comportamental Cognitiva, Lala Fonseca.
Na opinião dela, para tratar estas crianças será necessário, inicialmente, verificar o impacto real na criança, se elas apresentam alguma mudança de comportamento. “Se estão mais agressivas, mais tristes, comendo mais. Também não podemos mentir para as crianças e os adolescentes. Idealizar uma situação ou colocar uma meta falsa atrapalha o desenvolvimento das crianças em lidarem com a insegurança”, comenta a terapeuta.
Para Lala, quem for o responsável por cuidar da criança tem a obrigação de ampará-la. “Compreendendo que se ela não está conseguindo fazer o que você quer, ela precisa de tempo para amadurecer e é papel do adulto retroceder e aceitar”, adverte ela que conclui, “há uma necessidade em restaurar, após a guerra, a vivência destas perdas como forma de política pública do país. Na medida em que ela resgatar a confiança e acreditar novamente nas pessoas, e em si mesma, é a salvação para restaurar seu desenvolvimento”.