Atualmente, a medicina tem apresentado alternativas positivas para quem deseja ter filhos após o diagnóstico de câncer, que pode causar infertilidade por conta dos tratamentos geralmente aplicados, como a quimioterapia e a radioterapia. Segundo a médica ginecologista e obstetra Ana Flávia Hostalácio, da Oya Care – primeira clínica virtual de saúde feminina do Brasil, a oncofertilidade se trata da área que se dedica à preservação dos óvulos e espermatozoides de pacientes oncológicos, mulheres e homens, já diagnosticados com a doença.

Tendo em vista o aumento da sobrevida de pacientes oncológicos, questões como a manutenção da fertilidade futura tem sido cada vez mais pensada, já que, inclusive, boa parte dos pacientes no momento do diagnóstico e no tratamento do câncer ainda é criança, adolescente ou jovem adulto.

Em geral, a gravidez não coloca em novo risco ou piora o prognóstico de mulheres sobreviventes ao câncer. Desta forma, com o bom prognóstico de cura, essas mulheres são autorizadas a desenvolver a gestação após um período sem a presença da doença.
Congelamento de óvulos
Uma alternativa apontada pela medicina para a preservação da capacidade de gerar filhos é o congelamento de óvulos (criopreservação), que podem ficar guardados por até 15 anos em temperatura de 196ºC negativos, que tornou-se a primeira opção de preservação da fertilidade feminina por não necessitar do gameta masculino. A ciência ainda desenvolveu a criopreservação de embriões, que consiste no congelamento de embriões já fecundados e que tem tido ótimos resultados há muitos anos.

Coberturas de convênio e SUS
O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece de forma gratuita e universal o congelamento dos óvulos para pacientes oncológicas que podem ter a fertilidade prejudicada. De acordo com o Ministério da Saúde, para ter acesso ao congelamento de óvulos, mulheres em tratamento de câncer devem agendar o procedimento por meio da Unidade Básica de Saúde (UBS) para iniciar o processo.
A médica explica que também é possível recorrer aos planos de saúde nesse momento. “Na saúde suplementar, o beneficiário da criopreservação é protegido pelo Código de Defesa do Consumidor: a Justiça brasileira considera nula qualquer restrição que ponha o consumidor em situação de desvantagem excessiva. Neste sentido, uma negativa do plano de saúde para quem busca o congelamento de óvulos nesse contexto é considerada abusiva”.

No entanto, a cobertura do benefício só deve durar até o momento em que a paciente receber alta do tratamento. A partir desse momento a manutenção e eventual utilização dos óvulos seria de responsabilidade da contratante.
Sobre Ana Flávia Hostalácio
A médica ginecologista e obstetra da Oya Care é formada pela Faculdade de Medicina de Jundiaí e especialista em Reprodução Humana pela Faculdade de Medicina do ABC, e atua na área de Infertilidade e Reprodução Humana no Instituto Ideia Fértil de Saúde Reprodutiva.