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Analice Nicolau
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Empresas assumem papel de bancos e redesenham sistema financeiro com apoio de fintechs como a Cronos Fintech 

Especialista Robson Gimenes avalia avanço do modelo Bank as a Service no Brasil, que ganha força com o crescimento do PIX e a estratégia de grandes varejistas

Analice Nicolau

11/07/2025 16h15

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Especialista em inovação financeira Robson Gimenes

A recompra da operação financeira da C&A, por R$650 milhões e o fim da parceria com o Bradesco acenderam o alerta definitivo para uma tendência que já vinha se consolidando nos bastidores: o avanço de empresas não financeiras sobre o setor bancário. Com apoio de fintechs especializadas, como a Cronos Fintech, companhias do varejo, tecnologia e serviços estão assumindo o controle da jornada financeira de seus clientes e criando seus próprios ecossistemas.

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Ao assumirem suas próprias operações financeiras, empresas ganham independência estratégica, margem operacional e domínio completo sobre os dados de consumo dos clientes

No Brasil, o modelo conhecido como Bank as a Service (BaaS) já é adotado por nomes como Magalu, com o MagaluPay, Mercado Livre, com o Mercado Pago e o grupo Casas Bahia, por meio do banQi. A proposta é permitir que empresas ofereçam serviços bancários sem, de fato, serem bancos, utilizando a infraestrutura de fintechs que operam em conformidade com o Banco Central.

Segundo o especialista em inovação financeira Robson Gimenes, esse processo tem implicações diretas no sistema financeiro tradicional. “O BaaS redistribui poder. Empresas que antes eram apenas vendedoras agora também operam crédito, contas digitais, seguros e meios de pagamento. E isso muda tudo”, avalia.

Ao assumirem suas próprias operações financeiras, empresas ganham independência estratégica, margem operacional e domínio completo sobre os dados de consumo dos clientes. Na prática, podem integrar soluções como PIX, cashback, pagamento parcelado, carteiras digitais e análise de crédito em tempo real, com personalização total da experiência do usuário.

Esse movimento também é favorecido pela consolidação do PIX, sistema de pagamentos instantâneos lançado pelo Banco Central, que hoje já responde por mais da metade das transações bancárias no país.

De acordo com especialistas da área, o PIX não é só um meio de pagamento, é a base da modernização do sistema financeiro. Ele possibilita que empresas inovem e automatizem processos financeiros em larga escala, reduzindo custos e aumentando a fidelização dos clientes.

Por trás dessa transformação, estão fintechs como a Cronos, fundada em 2018, que desenvolvem a tecnologia necessária para operacionalizar essas mudanças. A empresa oferece uma plataforma de automação bancária com foco em pagamentos instantâneos, integração via API, contas digitais personalizadas e serviços de conciliação automatizada, permitindo que marcas lancem suas próprias soluções financeiras com agilidade.

A Cronos já atuava com PIX desde o início da implementação do sistema e se consolidou como parceira estratégica de empresas que desejam expandir sua presença no setor financeiro sem precisar obter uma licença bancária.

Com atuação no modelo white label, a fintech permite que a identidade da marca do cliente permaneça em destaque, enquanto a infraestrutura e a conformidade regulatória ficam sob responsabilidade da fornecedora.

A expectativa do mercado é que o modelo BaaS continue crescendo, impulsionado pela evolução do open finance, a chegada do Drex (Real Digital) e o avanço de novas regulamentações do Banco Central. O objetivo é ampliar a competição, reduzir a concentração bancária e democratizar o acesso a serviços financeiros por meio da tecnologia.

Para Robson Gimenes e outros especialistas do mercado, as empresas que investirem agora em serviços financeiros próprios tendem a liderar o mercado nos próximos anos. “Não se trata apenas de oferecer crédito ou uma conta digital. Trata-se de capturar o relacionamento financeiro do cliente e transformá-lo em receita, dados e fidelidade”, conclui.

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