Na internet, na rua, numa casinha de sapê ou ouvindo aquela bagunça no vizinho, é impossível pensar em cultura brasileira sem o sertanejo, né? Presente no dia a dia, esse é um estilo musical que se tornou o mais amado do Brasil e faz qualquer pessoa dançar, seja uma criança ou idoso, podendo acompanhar uma reunião de família, um churrasquinho e até no pré-jogo com os amigos.
Mas por que o sertanejo faz tanto sucesso assim? De acordo com Thiago Gaúcho, que é criador da agência “Fábrica de Hits”, responsável pelo trabalho artístico de diversos cantores do sertanejo como Bruno e Marrone, o mercado digital vem sendo a chave para impulsionar todo o mercado.

“Quando o digital ganhou força no entretenimento geral, em meados de 2015, eu estava próximo de artistas com relevância nacional quando exercia o papel de produtor geral. Ali já identificava uma grande carência do mercado especializado. Ainda se duvidava que o digital daria certo para artistas que competiam com o rádio e TV que sempre foram a base para consolidar um artista a nível nacional”, explica Thiago.
De acordo com dados da Kantar Ibope Media, mais da metade dos singles que estão no Top 100 no Brasil pertencem ao gênero sertanejo. E com base no ECAD (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição), das 15 músicas mais tocadas nos veículos de rádio no Brasil, em torno de 10 a 13 são de cantores do estilo musical sertanejo.
Mesmo assim, o marketing digital mostrou a necessidade de um serviço especializado. Segundo Thiago, essas mudanças foram acontecendo recentemente, quando os artistas começaram a buscar agências com estratégias direcionadas. De acordo com ele, a principal função é fazer com que o hit chegue na grande massa que dependia do rádio, mas que vem migrando para as plataformas digitais.

“Sempre atuei na área criativa e isso associado à carência que eu identifico, logo me impulsionou a criar campanhas direcionadas para a música. Esse é o grande diferencial dentro do marketing musical e faz a diferença para o artista iniciante que até hoje com a discrepante diferença entre o rádio, por exemplo, comparado ao investimento na internet, pode ter a mesma visibilidade em meio aos grandes artistas consolidados”, explica.
Hoje, mais do que nunca, o mercado vem se adaptando. Se até 2015 as principais ferramentas do digital eram o Facebook e YouTube, atualmente o Spotify, TikTok e Instagram são as mais exploradas. “Se não estivermos maleáveis a esses novos ‘nichos’, acabamos ficando para trás. É muito importante estar antenado ao que o público está consumindo”, finaliza.