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Analice Nicolau
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Emoções x Câncer de Mama: Priscilla Furtado, médica radio-oncologista, esclarece as principais dúvidas

A médica esclarece as principais dúvidas sobre a influência das emoções no desenvolvimento do câncer

Analice Nicolau

01/04/2022 10h00

A médica esclarece as principais dúvidas sobre a influência das emoções no desenvolvimento do câncer

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), estima-se que entre os anos de 2020 a 2022 sejam diagnosticados 66.280 novos casos de câncer de mama no Brasil. Além disso, a doença é, atualmente, a terceira maior causa de óbitos no país. Muitos mitos cercam o assunto, e um dos mais populares é que as emoções influenciam diretamente no surgimento desse tipo de enfermidade. Mas, afinal, qual é a relação das questões emocionais com o desenvolvimento de câncer de mama?

Ainda que seja uma crença popular, acreditar que as emoções podem ajudar a desenvolver câncer de mama não é uma ideia tão infundada. “A ideia de que sentimentos ruins contribuem para o surgimento de câncer é antiga. Existem inúmeros estudos que sugerem essa associação. Como alguns resultados são contraditórios, muitos profissionais ainda resistem a aceitar isso”, esclarece a médica radio-oncologista, palestrante e escritora Priscilla Furtado.

Porém, surge no meio científico novos estudos que indicam que, de uma forma ou de outra, nosso estado emocional pode alterar algumas funcionalidades de nosso corpo. “A neuropsicoimunologia vem demonstrando cada vez mais que as emoções causam alterações hormonais e no sistema de defesa. E podem, sim, aumentar o risco de adoecimento. É possível que haja um mecanismo que envolve o cortisol, mas ainda são necessárias mais publicações. Felizmente, na atualidade, estamos deixando de lado o pensamento dualístico. E estamos aceitando mais a relação corpo-mente. O que faz com que tenhamos um olhar mais abrangente sobre nossos sentimentos e emoções e sua relação com o adoecimento”, esclarece Priscilla.

Priscilla é enfática em ressaltar que existem sim fatores emocionais que podem contribuir para o desenvolvimento do câncer de mama. “Estresse, ansiedade e depressão são fatores que estão diretamente relacionados ao maior risco de desenvolvimento de doenças crônicas, inclusive o câncer. É importante falarmos sobre isso. Há uma preocupação excessiva com alimentação e atividade física e, muitas vezes as pessoas se esquecem de olhar para seus relacionamentos, seu trabalho, sua rotina do dia a dia e seu impacto sobre a saúde”.

O autocuidado é essencial para viver uma vida plena no sentido físico e mental

Um quadro emocional instável e prejudicial pode ser tratado tranquilamente com o auxílio da psicologia e da psiquiatria. “Infelizmente, a maior parte da população não aprendeu a lidar com as próprias emoções. Por isso, ao menor sinal de dificuldade, deveriam procurar ajuda profissional. Uma boa terapia pode ajudar bastante. A adoção de hábitos saudáveis, o autoconhecimento e autocuidado também são essenciais”, enfatiza, a médica radio-oncologista.

Para Priscilla, é importantíssimo trabalhar no processo de orientação e educar as pessoas no sentido de entender as próprias emoções e procurar ajuda quando estiver vivendo em uma fase de desequilíbrio emocional. “Quanto mais eu leio, estudo e atendo pessoas, mais eu acredito que educação emocional é extremamente necessária. O que nos adoece não são as emoções em si, e sim a forma como lidamos com elas. E isso é um aprendizado constante”.

Além das emoções, há alguns outros fatores sociais e familiares que podem contribuir para o desenvolvimento do câncer de mama. “Existem estudos que sugerem que traumas na infância, passar por situações de violência física e/ou emocional, abuso, podem contribuir para o adoecimento”, explica.

Portanto, o acompanhamento e orientação de um profissional da área de saúde mental é um cuidado essencial e básico, que deve ser incluído como uma obrigação para a manutenção da saúde. A médica Priscilla Furtado é entusiasta e estudiosa em assuntos relacionados a um estilo de vida mais saudável em todos os sentidos, e destaca a importância do autocuidado em todos os âmbitos, físico e mental. “Nunca se sabe se seremos os próximos a adoecer. A medicina do estilo de vida vem da filosofia de que prevenir ainda é o melhor remédio. Quanto antes, melhor. É como eu digo: é mais fácil cuidar da saúde do que da doença. Deveríamos ser ensinados a procurar ajuda antes mesmo de adoecermos”.

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