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Analice Nicolau
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Embraer aposta em diplomacia e narrativa para driblar tarifaço nos EUA, avalia especialista da InvestSmart XP

Fabricante brasileira reforça presença nos EUA e aposta em diálogo direto com o governo para evitar tarifas que possam inviabilizar vendas no país

Analice Nicolau

29/07/2025 13h00

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Rodrigo Vignoli, Sales de Renda Variável da InvestSmart XP, comenta sobre a atuação da Embraer frente ao tarifaço imposto pelo presidente americano, Donald Trump.

Diante da iminente elevação das tarifas de importação sobre produtos brasileiros para até 50%, a Embraer tem adotado uma estratégia proativa nos bastidores para proteger sua atuação no mercado americano. O movimento inclui articulações diretas com autoridades dos Estados Unidos, encabeçadas pelo próprio CEO da companhia, Francisco Gomes Neto.

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E175, jato da Embraer projetado para voos de curta e média distância pode ser inviabilizado pelo aumento das tarifas nos EUA.

Segundo Rodrigo Vignoli, Sales de Renda Variável da InvestSmart XP, o executivo foi pessoalmente aos EUA bater na porta dos órgãos de governo, levando na bagagem argumentos de peso. “Ele levou dados de peso, como os mais de 12 mil empregos que a empresa sustenta por lá, diretos e indiretos, além de prometer novos investimentos se o KC390 for comprado pelos americanos”, aponta Vignoli.

A medida é considerada urgente. “A preocupação é legítima. Segundo a própria Embraer, se as tarifas entrarem de fato, o impacto por aeronave pode chegar a US$ 9 milhões, o que praticamente inviabiliza o E175 nos EUA, um dos principais mercados da companhia”, alerta o especialista. Ainda assim, a fabricante brasileira de aeronaves manteve suas projeções de entregas e receitas para o ano, sinalizando que segue confiante em um desfecho favorável.

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A Embraer aposta no diálogo com a Casa Branca para mostrar sua importância à economia americana — o futuro das ações pode depender dessa narrativa.

Parte da estratégia adotada pela empresa tem sido enfatizar seu grau de integração com a economia americana. “Nos bastidores, a estratégia tem sido mostrar que a Embraer já é quase uma empresa americana, com boa parte dos componentes vindo de lá e uma cadeia de fornecedores robusta dentro do país. Isso ajuda a amenizar o risco imediato, mas não garante que o mercado vá ignorar essa incerteza”, comenta Vignoli.

Para ele, o CEO tem conduzido bem o jogo político e econômico. “Na minha visão, o CEO está jogando bem. Ele entendeu que, além do produto, precisa vender a narrativa. Mostrar que a empresa soma para os EUA é um caminho para evitar uma pancada mais forte nas margens”, afirma.

Caso a argumentação da Embraer encontre receptividade no Congresso ou na Casa Branca, o cenário pode se reverter em ganhos para a companhia. “Se o Congresso ou a Casa Branca comprarem essa ideia, a ação tende a se beneficiar lá na frente. Caso contrário, o mercado vai precificar na veia”, conclui Vignoli.

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