Em entrevista à apresentadora Antonia Fontenelle, o advogado e especialista em direito digital Newton Dias fez um alerta sobre os riscos e impactos do vício em apostas virtuais.
Ele relatou casos dramáticos de pessoas afetadas e chamou atenção para a responsabilidade do Estado diante do avanço das chamadas bets, como são conhecidas as casas de aposta online.

“Não se trata apenas de dinheiro perdido, mas de vidas ceifadas”, afirmou Fontenelle. O advogado Newton reforçou: “eu vejo muitos advogados que defendem bets dizer que o jogo é entretenimento. O papel do Estado é dificultar o acesso ao vício, não facilitar”.
Para o especialista, a questão vai além do campo jurídico e se transformou em pauta humanitária. Ele argumenta que o ser humano não está psicologicamente preparado para lidar com o livre acesso aos jogos, facilitado por celulares e pela presença constante nas mídias. “É como um alcoolista ir à clínica de recuperação e lá dentro ter um open bar”, comparou.
Durante a conversa, Antonia relatou o caso de um amigo que luta contra o vício e se vê cercado pela publicidade das apostas. “Ele me disse que onde quer que vá, tem um anúncio incentivando o jogo”, lamentou.
Newton também criticou o papel de influenciadores que promovem um estilo de vida baseado na ascensão financeira rápida e fácil, especialmente entre os jovens. “Por que os 20 são os novos 50 para essa geração que se cobra tanto?”.

Segundo ele, apenas três grupos lucram com as plataformas de apostas: as próprias empresas, os influenciadores que as divulgam e agiotas que exploram quem perde tudo e recorre a empréstimos.
“Não satisfeitas em gastar o dinheiro de toda a família, essas pessoas ainda são ameaçadas por esses agiotas”, alertou.
O advogado compartilhou o caso de uma mulher que perdeu tudo em apostas. Ao tentar ajudá-la, foi rejeitado: “ela achou que eu tinha contato com um agiota que ia cobrá-la”.
A vítima, com medo de retaliações, fugiu com o filho. Em áudio divulgado na entrevista, ela desabafa: “eu tenho medo de sair, de falar onde eu tô, de ser achada, de matarem o meu marido, os meus filhos”.
Newton explicou que dentro das plataformas existe um modus operandi que induz o jogador a continuar apostando. “Em tese, as pessoas adquirem um dinheiro, mas para reaver esse valor, elas precisam jogar mais. Todo mundo ganha a primeira vez e depois acontece o efeito cascata.”
Por fim, o advogado reforçou que as vítimas não devem ser culpabilizadas. “É preciso trabalhar o psique dessas pessoas. Ele não é o culpado. É a vítima. É uma pessoa viciada, doente. Foi induzida a esse vício porque produzem a ilusão do dinheiro fácil”.