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Analice Nicolau
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Educação financeira: 55% dos brasileiros admitem saber pouco, mas se preocupam com finanças pessoais; 81% vê Bets como ameaça

Mesmo com atenção ao controle de gastos, pesquisa Febraban revela que, população sente na pele o impacto das dívidas, das apostas online e da falta de preparo para lidar com golpes financeiros.

Analice Nicolau

21/07/2025 17h00

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A maioria dos brasileiros (55%) admite que entende pouco (40%) ou nada (15%) de educação financeira, embora quase todos reconheçam a importância do tema para a vida pessoal e profissional. O dado é da 17ª edição da pesquisa Observatório Febraban, feita em parceria com o Instituto IPESPE, com 3 mil entrevistados nas cinco regiões do País, entre 12 e 26 de junho de 2025.

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Para 81% da população, apostas online prejudicam o orçamento familiar e ampliam riscos financeiros. (Divulgação/Freepik)

Mesmo sem domínio técnico, os brasileiros afirmam manter atenção com as finanças pessoais: 56% dizem acompanhar de perto o orçamento familiar e 20% demonstram algum controle. Mas o cenário não é fácil, já que 39% afirmam estar atualmente endividados. Entre eles, 77% dizem que a situação afeta diretamente sua saúde emocional ou qualidade de vida.

O sociólogo Antonio Lavareda, presidente do Conselho Científico do IPESPE, alerta: “Educação financeira e endividamento são temas afins: a dificuldade de controlar gastos leva muitas pessoas a contraírem dívidas para cobrir despesas e imprevistos. No entanto, o mesmo contexto de desorganização financeira aumenta o risco de inadimplência”.

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Endividamento afeta a saúde emocional de 77% dos brasileiros, revela pesquisa. (Divulgação/Freepik)

Um dos pontos mais preocupantes revelados pela pesquisa é a percepção negativa das chamadas Bets, apostas online. Para 81% dos entrevistados, o impacto das apostas nas finanças familiares é muito negativo (50%) ou negativo (31%). Além disso, 37% relataram já ter sido prejudicados, direta ou indiretamente, por essas plataformas.

Apesar do acesso crescente a conteúdos digitais, 74% da população acredita que os brasileiros entendem pouco ou nada sobre educação financeira. E, quando o tema é aprofundado, o entendimento fica restrito ao básico, porque para 47%, educação financeira se resume ao controle de receitas e despesas. Apenas 23% citam investimentos, 14% falam em evitar dívidas e 12% em criar reservas para emergências.

“Aspectos relacionados à gestão e formação do patrimônio, proteção contra imprevistos e estratégias de investimento aparecem com menor destaque nas respostas”, aponta Lavareda.

Golpes digitais batem recorde
Outro dado alarmante aponta que 39% dos brasileiros já foram vítimas de algum tipo de golpe ou tentativa de golpe bancário, o maior número desde o início da série histórica em 2021. Os crimes mais comuns são clonagem de cartões (45%), golpe do WhatsApp (34%) e fraudes com Pix falso (24%).
Mesmo com campanhas educativas, 54% afirmam nunca ter recebido orientações financeiras ao contratar serviços bancários. E entre os que receberam, quase metade considerou as explicações pouco úteis.

Poupar é intenção, mas falta margem
A maioria da população afirma poupar ou investir quando consegue, com 61% afirmando que têm esse hábito com alguma frequência. No entanto, 29% dizem não ter qualquer condição de economizar atualmente, embora o fariam, se possível.
O cartão de crédito é o produto financeiro mais utilizado (66%), seguido por investimentos (20%) e financiamentos (19%). Já os bancos são vistos com desconfiança no papel de educadores, onde apenas 36% avaliam positivamente a atuação das instituições nesse aspecto.

Caminhos possíveis
Quando perguntados sobre o que poderia melhorar a educação financeira no Brasil, 70% dos entrevistados defenderam que o tema seja obrigatório nas escolas. Outros 47% pedem cursos gratuitos e 31% citam a necessidade de políticas públicas contra o superendividamento.
Apesar das dificuldades, há abertura para mudança, pois 52% demonstraram interesse em participar de iniciativas de educação financeira.

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