Se os seus olhos ficaram vermelhos, coçando ou com aquela sensação incômoda de areia, é bom ligar o sinal de alerta. A conjuntivite, inflamação da membrana que recobre o globo ocular e o interior das pálpebras, costuma ser recorrente em determinadas épocas do ano e, quando não tratada de forma adequada, pode levar até a problemas mais sérios na visão.

O oftalmologista Ricardo Rau, especialista em glaucoma, catarata e ultrassonografia ocular, com mais de 15 anos de experiência e chefe do Setor de Glaucoma do Serviço de Oftalmologia do HGCR em Florianópolis (SC), explica que existem diferentes tipos de conjuntivite e que nem todas são contagiosas. “A conjuntivite viral é a mais comum em surtos, principalmente no verão e início do outono, pois ambientes quentes e úmidos favorecem a disseminação, principalmente em locais aglomerados, como piscinas, praias, transporte público e escolas”, explica.
Segundo o médico, também há a conjuntivite bacteriana, que pode surgir o ano todo, com mais frequência no calor, sendo transmitida por mãos contaminadas, suor no rosto e objetos compartilhados. Já a conjuntivite alérgica, diferente das outras, não é contagiosa. “Ela é mais comum na primavera, sendo causada pela reação a alérgenos: ácaros, pólen, poeira e pelo de animais”, detalha.

Para evitar a propagação da doença, o especialista é categórico: “Quem está com conjuntivite, especialmente a viral ou bacteriana, deve se afastar do trabalho ou da escola, principalmente nos primeiros dias da infecção, quando o risco de contágio é maior, desta forma evitando a transmissão e surtos.”
Apesar dos inúmeros conselhos caseiros que circulam por aí, Rau reforça que automedicação é um dos principais erros. “São muito comuns o uso de colírios sem prescrição adequada e receitas caseiras (chá de camomila, leite materno), medidas estas que podem até agravar o quadro. É fundamental o diagnóstico correto para um tratamento adequado”, alerta.
Crianças, idosos e os riscos de complicações
Os extremos de idade merecem mais atenção. “É necessário maior atenção no tratamento de crianças e idosos, tanto pela vulnerabilidade do sistema imunológico quanto pelas dificuldades práticas em manter a higiene e evitar a contaminação”, afirma. Crianças tendem a coçar os olhos com frequência e podem não seguir corretamente as orientações médicas. Já os idosos podem ter dificuldades com o manuseio e aplicação dos colírios, devido à outras condições oculares e questões de mobilidade.
O médico ainda chama atenção para o risco de complicações e até danos permanentes à visão. “As conjuntivites infecciosas, na sua grande maioria, são autolimitadas, com duração de alguns dias, porém, dependendo da agressividade do agente, podem evoluir com alterações na córnea, levando ao embaçamento da visão”, diz. Em casos alérgicos, a insistência em coçar os olhos pode abrir portas para outra condição,, como o ceratocone, condição em que o tecido transparente na superfície anterior do olho (córnea) se curva para fora.
Como identificar e tratar
Os principais sintomas da conjuntivite são: vermelhidão, ardência, coceira, sensação de areia, lacrimejamento, inchaço das pálpebras, secreção, sensibilidade à luz e visão embaçada. O tratamento depende do tipo, se é viral, bacteriana ou alérgica.
“As infecciosas, por exemplo, podem ser tratadas apenas com sintomáticos (colírios lubrificantes, compressas geladas) e, em alguns casos, com colírios antibióticos; as alérgicas com medidas de controle ambiental (evitando contato com poeira, ácaros, pólen, pelos de animais) e colírios anti-inflamatórios e antialérgicos”, afirma. Em situações provocadas por produtos químicos, o oftalmologista orienta lavar os olhos com água corrente e procurar imediatamente atendimento médico.
O especialista também esclarece que é possível ter conjuntivite infecciosa mais de uma vez ao longo da vida. No caso das conjuntivites alérgicas, quando o tratamento não é feito de forma adequada, elas tendem a se tornar um problema recorrente e crônico.
Como se prevenir?
A principal via de transmissão da conjuntivite infecciosa é o contato das mãos contaminadas com os olhos. Por isso, a prevenção está muito mais ao alcance do que se imagina. “Lavar sempre as mãos, principalmente após tocar olhos, boca e nariz; evitar coçar e esfregar os olhos; não compartilhar objetos pessoais; ao apresentar os primeiros sinais, evitar ir à escola/trabalho e procurar imediatamente o médico oftalmologista, para que seja feito o diagnóstico correto e tratamento adequado. Nunca usar remédio por conta própria”, recomenda o especialista. “O famoso ‘prevenir é melhor que remediar’”, finaliza Dr. Ricardo Rau.