Com o avanço da tecnologia e o crescente acesso à internet, o mundo tem experimentado uma nova onda de crimes digitais e fraudes, com destaque para o WhatsApp e o Instagram. Essas plataformas populares, que conectam bilhões de pessoas globalmente, tornaram-se alvos preferenciais para criminosos cibernéticos, resultando em prejuízos financeiros significativos e impactando negativamente a vida das vítimas pelo Brasil afora.

Um levantamento realizado pela empresa de segurança digital PSafe, feito em outubro de 2020, estimou que aproximadamente 453 mil pessoas tiveram o WhatsApp clonado ou tiveram a conta falsificada naquele mês, o que representa uma média de 15 mil vítimas por dia apenas naquele meio de comunicação. Se no WhatsApp os números assustam, no Instagram não é diferente. Somente na pandemia, o número de golpes praticados na rede social triplicou de 2019 até 2021. Esse dado considera apenas os casos em que a vítima procurou a polícia, descartando a subnotificação, o que pode elevar consideravelmente os números.

Segundo o advogado Leonardo Busnardo, especialista em Direito Processual Penal e coordenador responsável pela área Direito Penal do escritório Laure Defina Advogados, o aumento se deve a desatenção. “A falta de atenção é o principal fator que leva as pessoas a caírem em golpes. Muitas vezes, por desconhecimento das vítimas que acabam passando informação ou transferindo dinheiro sem confirmar que realmente está falando com a pessoa correta e não um estelionatário. Uma ligação, às vezes, evitaria tudo”, explica o advogado.
Na prática, os crimes praticados no WhatsApp e Instagram são parecidos, porque os criminosos clonam as redes e se fazem passar por outra pessoa para se beneficiar da boa-fé da vítima. O crime que se tornou mais comum no WhatsApp é aquele em que os criminosos se fazem passar por conhecidos que precisam de um dinheiro emprestado rápido, enquanto no Instagram, o objetivo é invadir a conta de pessoas que têm muitos seguidores, anunciar produtos como eletrodomésticos, por exemplo, que nunca serão entregues e se apropriar do dinheiro pago. Em ambos os casos, as vítimas só percebem que caíram no golpe quando já fizeram o pagamento.
“De fato, o frequente uso das redes sociais, como Whatsapp e Instagram, permitem que os estelionatários acessem milhares de pessoas com poucos cliques e aproveitam da informalidade do ambiente para aplicar golpes as pessoas, que infelizmente de boa-fé, acabam se tornando vítimas”, afirma o advogado Leonardo Busnardo.
A Lei 14.155, sancionada em 27 de maio de 2021, estabelece punições mais severas para os crimes cibernéticos, incluindo os praticados por meio do WhatsApp e do Instagram. Ela define como crime, por exemplo, a invasão de dispositivo informático alheio, a obtenção, divulgação ou comercialização de dados pessoais sem autorização, a fraude eletrônica e a falsificação de documento particular, entre outros delitos relacionados à internet e ao uso de redes sociais, o que em tese, foi feito para diminuir ou inibir a prática criminosa.
Um dos principais métodos utilizados pelos criminosos para realizar fraudes é o chamado “phishing”. Nesse tipo de golpe, os usuários são induzidos a fornecer informações pessoais e financeiras sensíveis, como senhas, dados bancários e números de cartões de crédito. Os criminosos enviam mensagens falsas, aparentando ser de empresas ou contatos conhecidos, na tentativa de ludibriar as vítimas e obter acesso às suas contas ou dados pessoais, práticas consideradas ilícitas de acordo com a Lei 14.155.
Além disso, o WhatsApp e o Instagram também têm sido palco de golpes de engenharia social, em que os criminosos se passam por pessoas próximas ou autoridades para extorquir dinheiro ou praticar outros tipos de fraude, ações passíveis de punição de acordo com a legislação vigente. Essa abordagem manipulativa muitas vezes tira proveito da confiança e da ingenuidade dos usuários, causando sérios prejuízos financeiros e emocionais.
“No mundo virtual, é preciso desconfiar sempre. É importante confirmar o máximo de informações, sempre que possível antes de qualquer transação, evitando clicar em qualquer link ou arquivo suspeito. E quando tiver qualquer dúvida, não custa nada questionar o suposto remetente, o que custa é cair em golpes”, afirma o especialista.
As consequências dessas práticas criminosas vão além dos danos financeiros. Muitas vítimas relatam sentimentos de violação de privacidade, insegurança e ansiedade após terem suas contas comprometidas, questões que a Lei 14.155 busca abordar e solucionar com suas medidas de combate aos crimes cibernéticos.
Diante desse cenário preocupante, autoridades e empresas de tecnologia têm se unido para combater os crimes digitais e proteger os usuários. O WhatsApp e o Instagram têm implementado medidas de segurança aprimoradas, como a autenticação em duas etapas e sistemas de detecção de atividades suspeitas, buscando cumprir os requisitos legais impostos pela nova legislação.
Além disso, as autoridades policiais estão intensificando a investigação e a punição dos criminosos cibernéticos. Colaborações entre órgãos de segurança, instituições financeiras e empresas de tecnologia têm se mostrado fundamentais para identificar e rastrear os responsáveis por essas fraudes, buscando levar justiça às vítimas e aplicar as penalidades previstas na legislação.
No entanto, é importante ressaltar que a responsabilidade pela segurança digital não recai apenas sobre as empresas e as autoridades. Os usuários também devem estar atentos e adotar práticas de segurança, como a verificação cuidadosa de remetentes desconhecidos, a não compartilhar informações confidenciais por meio dessas plataformas e o uso de senhas fortes.
Em um mundo cada vez mais conectado, é fundamental que os usuários estejam conscientes dos riscos e das medidas de proteção necessárias ao utilizar plataformas digitais populares como o WhatsApp e o Instagram. Somente com uma abordagem colaborativa entre empresas, autoridades, usuários e o arcabouço legal vigente será possível combater efetivamente o aumento de crimes digitais e fraudes, garantindo um ambiente online mais seguro e confiável para todos.
Para evitar ser vítimas de golpes o especialista afirma que é fundamental ficar atento, desconfiar sempre e seguir as dicas de segurança:
- É recomendado evitar se conectar a redes Wi-Fi desconhecidas ou abertas e, caso você opte por se conectar, evite utilizar aplicativos bancários e de pagamentos.
- Verifique minuciosamente todas as informações exibidas no boleto a ser pago para identificar possíveis discrepâncias (como valor, formato, ortografia e dados), incluindo o endereço de e-mail do remetente do boleto, bem como se é comum receber cobranças desse e-mail.
- Ao utilizar o código de barras, certifique-se de que o número digitável presente no boleto corresponde ao número apresentado na ordem de pagamento.
- Analise cuidadosamente os dados fornecidos no boleto e o destinatário do pagamento indicado na ordem de pagamento a ser enviada.
- É importante manter seus dispositivos eletrônicos com um antivírus sempre atualizado.