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Analice Nicolau
Analice Nicolau

Do Morro do Pinto para o Mundo

Colunista Analice Nicolau

10/03/2026 12h26

 DJ Marlboro hackeia o futuro e transforma o Rio em palco digital com Inteligência Artificial

No Dia do DJ, o pioneiro do funk rompe a barreira do som e une as batidas do asfalto à tecnologia generativa em uma live histórica que redefine a narrativa audiovisual brasileira. Ontem, 9 de março de 2026, o Rio de Janeiro não apenas celebrou a data; ele redesenhou as fronteiras entre o morro e a inteligência artificial. Do topo do Morro do Pinto, na zona portuária, DJ Marlboro provou que o funk nunca foi apenas sobre som, é sobre visão, tecnologia e a capacidade visceral de se reinventar para o mundo.

O que vimos na Live Big Mix foi um manifesto audiovisual. Marlboro, o homem que digitalizou o batidão nos anos 80, agora lidera a transição do gênero para a era da IA generativa. Foram oito clipes inéditos, concebidos por algoritmos e sensibilidade artística, conectando a batida periférica aos cartões-postais que o mundo reverencia. Não é mais sobre ocupar espaços; é sobre transformar a cidade inteira em um terminal de inovação.

O cenário não poderia ser mais emblemático. Enquanto a transmissão ganhava corpo, o público era transportado em uma progressão geométrica de impacto: do Maracanã com DJ Anderson França ao Cristo Redentor com a voz de Carol Pedrosa. A inteligência artificial, tantas vezes vista como uma ameaça à criatividade humana, aqui serviu de ferramenta para amplificar a identidade carioca. Segundo dados da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI), o Brasil é um dos mercados que mais cresce em consumo de música digital, e iniciativas como esta explicam o porquê: o funk brasileiro tem a audácia que o mercado global exige.

A estrutura do evento foi um relógio suíço de batidas por minuto. DJ Detonna levou o Sambódromo para a tela; DJ G G Vibe ocupou a Central do Brasil; enquanto o Pão de Açúcar emoldurava a performance de DJ Cabeção. A sequência final, na Cidade do Samba com os DJs Nelsinho, Bráulio e Tubarão, selou o compromisso do movimento com suas raízes, mas com o olhar fixo no futuro. O encerramento na Yup Star Rio, a roda-gigante que mira o horizonte, foi o símbolo perfeito de um ciclo que se completa e se expande.

Marlboro não faz música para o agora; ele constrói o legado do que virá. Ao unir o “Morro do Pinto para o mundo”, ele humaniza a tecnologia e dá rosto, e ritmo à inovação. De comunidades vulneráveis a protagonistas do cenário tech-musical, o funk reafirma sua posição como a maior potência exportadora de cultura urbana do país.

O futuro da música brasileira não espera por validação externa; ele exige a coragem de misturar o orgânico com o digital. Investir na narrativa do funk é, em última análise, investir no futuro da criatividade nacional. Seu legado ensina: a tecnologia só tem alma quando encontra a batida certa.

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