Encontrada com frequência em mulheres no período pós-parto, a diástase é caracterizada pelo afastamento dos músculos abdominais — entretanto, essa condição não é exclusividade das mulheres que passaram pela gestação; homens também podem ter diástase abdominal, assim como pessoas que possuem obesidade ou mesmo, quem não realiza exercícios físicos com a técnica e carga correta.
Além de impactar a autoestima, a diástase abdominal pode desencadear outros problemas, como dores nas costas e na lombar e muitas vezes, quem possui a condição, acredita que não há tratamento, o que não é verdade. Gizele Monteiro é educadora física e especialista em diástase e aponta que a união entre a alimentação correta e exercícios específicos é um tratamento eficaz para a condição.

Na esfera da nutrição, a alimentação é crucial para controlar o excesso de peso, isso porque a especialista aponta que a obesidade, é um fator desencadeante. “Há casos onde a mulher pós gravidez não tem gordura, mas tem volume abdominal, mas também existem cenários, onde o volume da barriga tem relação apenas com a diástase, e com gordura em excesso. Uma mãe que está acima do peso, por exemplo, além de precisar fazer uma restauração da parte muscular, terá que emagrecer também. Nesses casos, grande parte do volume abdominal vem da combinação de diástase e fraquezas pós-gestação com gordura localizada”, pontua.
Da mesma forma que existem mulheres que acreditam erroneamente que a barriga é apenas gordura, porém quando emagrecem a barriga continua lá; existem aquelas que não tem peso em excesso, mas que tem volume abdominal devido à diástase.

Já no caso de pessoas que desenvolvem diástase pela execução errada de exercícios com intensidade acima da capacidade do corpo, o problema se dá pela falta de orientação e consciência corporal. “Do ponto de vista técnico, ou, sem respeitar a intensidade que o músculo suporta, essa mulher também pode ter uma diástase, mesmo nunca tendo engravidado. Existem várias mulheres saradas e com o abdômen cortado pela diástase, mesmo estando definida’, exemplifica.
Alguns exercícios precisam ser evitados
Mesmo a academia sendo um dos primeiros locais que a mulher procura para recuperar a autoestima e o corpo após a gestação, nem todos os exercícios disponíveis na musculação são recomendados, podendo piorar a diástase. O mesmo vale para pessoas que adquiriram diástase pela má execução ou obesidade.
“Exercícios como abdominais tradicionais, pranchas, agachamento com barriga nas costas, agachamento total, saltos sobre a caixa, jump, corrida, pular corda, podem piorar a diástase e também escapes de xixi”, pontua.

A recomendação de Gizele Monteiro é que essas mulheres, que passaram pelo parto, não voltem a praticar essas atividades comuns antes de terem fechado e tratado a diástase com exercícios especializados, alerta.
Diástase pode voltar?
Apesar de existirem casos onde a diástase pode voltar mesmo após ser fechada com tratamento, a especialista aponta que isso corresponde uma parcela pequena do quadro e não deve ser usada como argumento para não tratar a condição. “Se o processo de fechamento da diástase for conduzido da maneira certa e houver um aprendizado do respeito ao corpo, ela não volta”, garante Gizele Monteiro.

Peso e exercícios físicos de alta intensidade também devem ser observados. No caso das mulheres, quando elas engordam muito, elas podem voltar a desenvolver a diástase novamente mesmo tendo tratamento — e o mesmo acontece com mulheres com obesidade sem nunca terem engravidado. “Em uma nova gravidez, ela também precisará se prevenir com exercícios corretos, afinal a diástase acontece na gravidez e essa lesão pode acontecer de novo se não estiverem sendo feitos exercícios preventivos”, pontua.