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Analice Nicolau
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Dia do sexo: especialistas falam sobre importância da vida sexual na terceira idade

Médicos do Núcleo de Medicina Sexual do Hospital Sírio-Libanês explicam os efeitos da prática para melhora da autoestima e qualidade de vida

Analice Nicolau

06/09/2022 18h30

Médicos do Núcleo de Medicina Sexual do Hospital Sírio-Libanês explicam os efeitos da prática para melhora da autoestima e qualidade de vida

Nesta terça-feira (6) comemora-se o Dia do Sexo, data criada para lembrar da importância da prática para a saúde em todas as fases da vida adulta. Afinal, não existe diferença entre o sexo em si realizado na terceira idade e na juventude. A idade e experiência, aliás, são capazes de tornar o ato ainda mais prazeroso.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), exercer a sexualidade com saúde é um dos pilares que sustentam a qualidade de vida. Pode contribuir para a melhora da autoestima, prazer e bem-estar, mesmo quando exercido individualmente, e gera conexão e suporte nos relacionamentos a dois.

“Na terceira idade, valorizar o afeto existente também pode favorecer as relações sexuais”, declara Dr. Bruno Nascimento

A tecnologia melhorou a saúde das pessoas mais velhas. Fatores biológicos, psicológicos e sociais interferem na maneira como vivemos e exercemos nossa atividade sexual. Assim, manter fatores hormonais necessários equilibrados, controle de doenças crônicas, troca de medicamentos que possam perturbar o funcionamento sexual, revisão de pensamentos, sentimentos e ações no âmbito psicológico que não permitam a boa vivência e ajuste de fatores de relacionamento podem ser alguns exemplos que impactam positivamente a vida sexual.

Segundo a ginecologista Helga Marquesini, do Centro de Medicina Sexual do Hospital Sírio-Libanês, as mulheres após a menopausa têm a vida sexual afetada por conta de maiores dificuldades de lubrificação e qualidade da mucosa vaginal decorrente da diminuição da produção hormonal no organismo. Por isso, as mulheres na terceira idade sentem mais dor nas relações sexuais com penetração.

“Muitas mulheres também têm a crença de que após a menopausa ou na terceira idade seria natural que o sexo deixe de ser praticado”, explica a ginecologista Helga Marquesini

“O orgasmo pode se tornar mais difícil de ser atingido e ser menos intenso. A queda de desejo, desencadeada como resultado de más experiências por dor ou impactada pela queda hormonal, também pode ser um fator importante. Muitas mulheres também têm a crença de que após a menopausa ou na terceira idade seria natural que o sexo deixe de ser praticado”, explica a ginecologista, e continua: “Uma das estratégias para essa questão é o uso de lubrificantes e a manutenção da saúde da mucosa vaginal. Por isso, sempre que existir queixa ginecológica ou sexual, é importante se consultar com um especialista”.

Por outro lado, os benefícios do sexo são muitos, como a melhora da autoestima, da qualidade de vida, do humor e da intensidade das relações. Com os homens não é diferente. Estudos comprovam que uma vida sexual satisfatória contribui para uma maior longevidade e redução do declínio cognitivo. A partir dos 50 anos, o homem pode passar pela andropausa (caracterizada pela baixa hormonal masculina), quando começa a diminuir as taxas de testosterona, que é o principal hormônio sexual masculino. Por conta dessa perda, a vida sexual e a sexualidade do idoso podem ser afetadas de maneira considerável, já que a perda desse hormônio pode levar a algum tipo de disfunção sexual, diminuição da libido ou até mesmo impotência sexual.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), exercer a sexualidade com saúde é um dos pilares que sustentam a qualidade de vida

“Na terceira idade, o homem pode precisar de mais estímulo para obter uma ereção. Portanto, não tenha pressa para realizar a relação sexual com penetração. Os estímulos antes do ato sexual, seja sozinho ou com a ajuda da parceira, ajudam a facilitar a ereção, além de melhorar o clima antes da relação sexual em si”, explica Dr. Bruno Nascimento, urologista e integrante do Centro de Medicina Sexual do Hospital Sírio-Libanês.

O médico também chama atenção para a possibilidade de doenças cardiovasculares em pacientes com disfunção erétil. “Importante sempre realizar um check-up e avaliar todo o quadro clínico”, afirma Dr. Bruno. O especialista dá outro conselho: “Na terceira idade, valorizar o afeto existente também pode favorecer as relações sexuais. Por isso, uma conversa agradável e intimidades únicas do casal podem ajudar a despertar o desejo para o sexo na terceira idade”, finaliza.

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