Empreendedores com 20 anos de experiência nos Estados Unidos, os irmãos André e Raphael Carvalho trazem um alerta transformador para o cenário competitivo de 2026: o maior risco para a continuidade dos negócios não mora no mercado instável, na concorrência feroz ou nas crises econômicas passageiras. Ele habita a mente do próprio líder. Segundo o Sebrae, 23% das empresas fecham em 1 ano e 60% em 5 anos por falhas gerenciais internas, como falta de maturidade emocional (Sebrae, 2025 Panorama MPE).
Quantos empresários, em cidades como Brasília ou São Paulo, culpam fatores externos por prejuízos, quando a raiz profunda está na falta de inteligência emocional e na ausência de uma estrutura organizacional sólida? André Carvalho, um dos irmãos, aponta o cerne do problema: a falta de controle emocional e autoconhecimento. “O empresário muitas vezes decide errado porque não sabe gerenciar suas emoções. Nem toda decisão rápida é estratégica. Muita coisa que ele chama de visão é, na verdade, medo de perder, de ficar para trás ou de errar”, explica.
Imagine o dia a dia agitado de um empreendedor brasileiro: o impulso de contratar às pressas por pânico de crescer devagar, investir em modismos sem análise ou alterar rumos drasticamente por insegurança. Esses movimentos, confundidos com coragem e ousadia, geram prejuízos reais, demissões custosas, recursos desperdiçados e equipes desmotivadas.

Raphael Carvalho aprofunda: o autoconhecimento não é luxo, mas uma ferramenta prática de proteção financeira. “Ele evita prejuízos como contratações erradas, investimentos no timing inadequado e conflitos desnecessários com parceiros ou funcionários. Uma decisão madura nasce quando você entende o que sente e o que pensa antes de decidir o que faz.” Para líderes que equilibram família, redes sociais e demandas urgentes, cultivar essa pausa reflexiva é o diferencial entre estagnação e expansão, evitando que decisões impulsivas sejam chamadas de “ousadia”.

Outro erro recorrente, segundo Raphael, é a dificuldade de migrar de executor para gestor. “Muitos dominam o ofício com maestria, o chef que cozinha como ninguém, o consultor que resolve problemas complexos, mas ao abrir a empresa, continuam pensando como técnicos. A empresa exige outra mentalidade: você deixa de ser o executor e passa a ser o gestor, visionário e delegador.” Essa armadilha centraliza decisões, sufoca talentos da equipe e limita o potencial de escala.
André complementa com precisão: “A ausência de autoconhecimento estratégico compromete o crescimento. O empresário precisa mapear onde é forte, onde é fraco e o que precisa desenvolver ou contratar. Sem isso, ele centraliza demais, delega mal e trava a própria expansão.” Visão empresarial autêntica não é pressa insana nem acúmulo exaustivo de tarefas. “Visão é clareza. É saber quais habilidades precisa adquirir. Enquanto o dono está preso à execução, ele limita o crescimento da empresa”, reforça Raphael.

Os irmãos concluem com uma verdade libertadora: o crescimento sustentável começa na consciência do líder. Seja dominando o controle emocional para evitar impulsos, seja estruturando a transição para gestor eficiente, o empresário que ignora o autoconhecimento repete ciclos viciosos de erros e frustrações. “Antes de crescer o faturamento, é preciso crescer em maturidade.”
Para empreendedores lendo esta coluna: comece hoje. Faça uma pausa, reflita sobre suas decisões recentes e pergunte: isso veio da clareza ou do medo? André e Raphael Carvalho provam que a verdadeira ousadia está no espelho.