Estudos e tendências apresentados em um evento recente do Design Hub, na Casa Dexco, mostram que o uso da cor em projetos de arquitetura, design e decoração vai muito além da estética. As escolhas cromáticas estão cada vez mais ligadas a questões emocionais, culturais e comportamentais.
O encontro contou com a participação da fabricante de tintas Sherwin-Williams e discutiu o impacto das cores nos ambientes e no cotidiano das pessoas. Segundo os especialistas, cores têm o poder de provocar sensações, ativar memórias e traduzir estados emocionais.

“Projetar com cor vai muito além de combinar tons bonitos. É um exercício de escuta das necessidades humanas e de tradução visual de sentimentos”, afirmou Marcele Brunel, head do Design Office da Dexco.
De acordo com pesquisa realizada pela Sherwin-Williams em parceria com o instituto Harris Poll, 62% dos norte-americanos associam a cor azul à calma, confiança e competência. Já o amarelo é ligado à sensação de felicidade e calor por 42% dos entrevistados. Outro estudo citado, da Annual Review of Psychology, indica que até 90% das avaliações iniciais de um produto são baseadas exclusivamente na cor.

As preferências atuais apontam para diferentes direções. Cores intensas e vibrantes, por exemplo, têm aparecido como resposta à chamada “fadiga digital”. Ao mesmo tempo, tons naturais e terrosos são associados à reconexão com a natureza e à busca por introspecção.
“Estamos vendo um movimento de valorização de ambientes que promovem acolhimento e conforto emocional. A cor desempenha papel essencial nisso”, afirmou Bia Luz, coordenadora de marketing da Sherwin-Williams.
A ideia de design sensorial também está ganhando força. O conceito envolve não apenas cores, mas também texturas, aromas e materiais que estimulam os sentidos. Segundo a consultoria WGSN e a revista Architectural Digest, esse será um dos principais direcionamentos para 2025.

Espaços considerados como refúgios têm adotado o uso de materiais naturais, como madeira e pedra, além de tecidos rústicos e cores mais sóbrias. Já os projetos que buscam estimular a criatividade e a liberdade estética investem em contrastes fortes, superfícies com brilho e texturas marcantes.
Outro destaque está na busca por elementos que resgatem memórias e ancestralidade. Técnicas artesanais, estampas tradicionais e materiais com valor histórico estão sendo incorporados a ambientes que pretendem não apenas decorar, mas contar histórias e estabelecer conexões afetivas.
A tendência de criar espaços mais diversos e inclusivos também se reflete nas escolhas cromáticas. Misturas de estilos, uso de materiais locais e referências culturais têm sido utilizados para representar diferentes identidades e promover o senso de pertencimento.
“A cor é uma linguagem sensível e estratégica. Ela ajuda a criar experiências que vão além da forma”, concluiu Marcele Brunel.