As experiências autênticas dão forma às mais vívidas memórias humanas. Elas possuem personalidade, são atemporais. É possível, por exemplo, lembrar-se do cheiro do café feito no bule pela avó, na beira do fogão à lenha. Ao passo que esse mesmo aroma, como num passo de mágica, nos remete à poesia e ao aconchego da infância. Essa é a força das verdadeiras experiências vividas. Elas eternizam na memória, ganham sentimentos de pertencimento.
Navegando em mares turbulentos, destinos turísticos têm se organizado para enfrentar os novos tempos pós Covid-19, que trouxeram mudanças significativas no comportamento humano, com impacto marcante nos eventos que geram aglomerações. Nesse sentido, o turismo de experiencia, vem ganhando, a cada dia, mais espaço nos roteiros Brasil afora.
Nesse mesmo contexto, cabe ressaltar a emergêcia de um novo segmento turístico em nossas montanhas. Que o Estado de Minas Gerais está associado mundialmente à sua cozinha e à postura sempre acolhedora de seu povo, isso não é novidade para ninguém, mas que o estado mineiro está entre os principais produtores de iguarias culinárias mundiais ainda é coisa para se falar. Já dizia Guimaraes Rosa: “Minas são muitas”.
Um exemplo que reflete essas novas tendências está na esplendorosa região do Sul do estado Conhecida pelas montanhas e cafés premiados, Andradas foi construída numa caldeira vulcânica, rica em minerais, belezas naturais, tradições culturais e gastronômicas. Localizada na região da Mantiqueira, possui mais de 40 mil habitantes e está na divisa com o Estado de São Paulo. Terra onde a mineiridade aflora em todas as suas dimensões. Terra do virado de frango, patrimônio cultural imaterial da cidade, e da moda de viola. Terra de Tedy Vieira, grande parceiro de composições do embaixador da viola caipira do Brasil, Tião Carreiro.
Conhecida como a cidade do vinho em Minas Gerais, Andradas tem uma grande influência Italiana em sua formação cultural, fruto dos imigrantes que vieram para o Brasil trabalhar nas lavouras do café e que, para consumo próprio, plantaram suas parreiras. Pouco tempo depois, já eram mais de 100 adegas de vinhos para consumo próprio.
A bebida acabou virando símbolo da cidade. Hoje, o município possui nove adegas que produzem vinhos de mesa, litúrgicos e de uvas finas.
Acompanhando as tendências mundiais do enoturismo, algumas adegas investiram em sua organização. É o caso da Casa Geraldo que oferece roteiros internos, em que é possível conhecer os parreirais, colher uvas, fazer piqueniques e conhecer o processo de produção, finalizando com uma degustação harmoniosa que faz a memória gustativa dos visitantes eternizar, com sabores, saberes e querências. Já a adega Stella Valentino oferta jantares harmonizados para no máximo dezoito pessoas e já tem um vinho da uva tempranillo em grande destaque.

O coordenador da Frente da Gastronomia Mineira, professor e Chef Edson Puiati, visitou a cidade recentemente e pode conhecer de perto a força do vinho andradense
O coordenador da Frente da Gastronomia Mineira, professor e Chef Edson Puiati, visitou a cidade recentemente e pode conhecer de perto a força do vinho andradense. “Andradas é a referência histórica e qualitativa do vinho de Minas Gerais. A cidade carrega uma tradição de produção da uva e do vinho vindo de seus antepassados italianos, que ali, encontraram um solo de tamanha riqueza que, junto com as técnicas tradicionais de manejo italianas, reforçada pela consultoria da gigante EPAMIG, como a poda invertida que permite a colheita da uva no período de inverno, conferiu a esta região um produto de extrema qualidade, colocando Minas Gerais no cenário internacional dos vinhos. Destaco, por exemplo, as uvas Gran Reserva, que possuem um teor de álcool mais elevado. Junto com o auxíliio da EPAMIG tem feito a diferença. Andradas é o berço da vinitificação mineira e uma região de característica de terroir”, pontua o professor.
Outro destaque da cidade é sua produção de azeite, tendo em suas terras vulcânicas o olival mais alto do mundo, o Terras Altas, localizado a 1.600 metros de altitude e detentor de características endêmicas do local. A azeitóloga Ana Beloto, umas das principais vozes do azeite no Brasil destacou a importância e a particularidade da produção de azeites em Andradas.
“Por ter influência de solos vulcânicos e áreas com altitude, a olivicultura se adaptou muito bem à cidade de Andradas. As Serras vulcânicas imprimem um terroir único para os azeites da região, que costumam ser delicados, com sensoriais frescos de ervas e folhas escuras e notas de frutos tropicais e flores de chás. O cultivar Grappolo, uma variedade brasileira de azeitona (uma das minhas preferidas para blends de azeites), se adaptou muito bem à região, imprimindo ainda mais brasilidade aos azeites produzidos na cidade. Não à toa, os azeites da região recebem prêmios em concursos internacionais de azeites e são reconhecidos por sua alta qualidade. São azeites versáteis e com personalidade sensorial, ótimos para harmonização com pratos salgados e doces típicos da região, como doce de leite e goiabada”, aponta.
Apaixonada por sua cidade, a Prefeita Margot Pioli comentou: “Andradas é privilegiada pela sua natureza, com diversos atrativos naturais, despertando nos adeptos e praticantes do voo livre, trekking, bike, entre outros, a vontade de virem para a nossa cidade. Isso sem falar na nossa variada produção agrícola, com diversas práticas, como a do vinho, café, banana, azeite, somada às indústrias de cerâmica, móveis, queijos e bolachas, e muitas outras, tornando o município um destino turístico com peculiaridades únicas. Dessa forma, cabe ao Poder Público, e estamos fazendo isso, trabalhar na divulgação desses atrativos, com a implantação de políticas e ações de fomento ao turismo, que irão ampliar ainda mais as oportunidades de emprego e renda”, destaca a Prefeita.
Com tantas riquezas e significados, com tantas expressões das culturas produtivas e do jeito acolhedor do seu povo, com tantas paisagens a serem contempladas, Andradas é hoje um lugar para se Comer, beber, rezar e se encantar.



