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Analice Nicolau
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“Confiança é o maior ativo”: como empresas brasileiras podem conquistar espaço nos Emirados

Especialista aponta que reputação e estratégia são chave para crescer no Oriente Médio

Analice Nicolau

25/07/2025 17h00

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As relações econômicas entre Brasil e Emirados Árabes Unidos vivem um momento decisivo. Para o empresário Rodrigo Paiva, CEO do conglomerado Redwood Prime Group, há uma “janela clara — e limitada — de oportunidade” para estruturar parcerias de longo prazo entre os dois países. De um lado, os Emirados se consolidam como hub estratégico de negócios globais. De outro, o Brasil busca novos mercados para seus produtos e serviços.

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Rodrigo Paiva, CEO do conglomerado Redwood Prime Group

“O Oriente Médio está sedento por soluções reais em energia, segurança alimentar e inovação. O Brasil tem o que entregar, mas precisa chegar com estratégia, institucionalidade e posicionamento”, afirma Paiva. Segundo ele, a urgência por novos mercados nunca foi tão evidente.

Hoje, os setores com maior potencial de expansão no mundo árabe vão além do agronegócio tradicional. “O agro segue como pilar — especialmente proteína, grãos e frutas —, mas o futuro está nos alimentos com valor agregado, nas tecnologias verdes, na infraestrutura crítica e na saúde. É nisso que o mundo árabe está apostando sua transformação estrutural”, analisa.

A entrada de uma empresa brasileira no mercado dos Emirados, no entanto, exige mais do que abrir um CNPJ local. Paiva explica que o primeiro passo é o diagnóstico estratégico: entender onde e como a operação agrega valor para ambos os lados. “No mundo árabe, os negócios são altamente baseados em confiança e relacionamento. Muitas decisões importantes são amadurecidas em encontros informais, como os Majlis. É um ambiente que exige tato, tempo e leitura cultural”, destaca.

Com presença consolidada na região, o grupo liderado por Paiva já ajudou a internacionalizar mais de 20 empresas brasileiras, movimentando mais de meio bilhão de reais em investimentos estrangeiros diretos. “Nosso portfólio atual inclui empresas de sustentabilidade, logística, agroindústria e tecnologia. Atuamos tanto com grandes players listados em bolsa quanto com empresas menores que querem dar os primeiros passos com estrutura e segurança.”

O Brasil, segundo ele, reúne qualidades raras: abundância de recursos naturais, base industrial sólida, matriz energética limpa e o maior mercado consumidor da América Latina. Mas isso, por si só, não basta. “É preciso saber se apresentar — não apenas com números, mas com visão, estrutura e confiança institucional. Para o investidor árabe, confiança é o maior ativo.”

Entre os próximos passos, Paiva defende uma atuação mais estratégica do Brasil na região. “É preciso ocupar os fóruns certos, com linguagem institucional e capacidade real de articulação. Não basta abrir empresa ou ir a uma feira. A reputação se constrói com presença constante, palavra mantida e conexão com os círculos certos.”

Para isso, ele criou no Redwood Prime Group um ecossistema que conecta empresas brasileiras a lideranças públicas e privadas da região. A estrutura inclui assessoria estratégica, conexões de alto nível e fóruns de conteúdo — como o LIDE Emirates, iniciativa que também coordena. “No fim, o que separa quem apenas participa de quem transforma o jogo é a capacidade de antecipar — e de articular. E é exatamente isso que fazemos.”

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