Para que Thais Borges, uma executiva da área de tecnologia fiscal, conquistasse o sucesso pessoal e profissional foi necessário enfrentar e vencer muitos desafios. Mulher, preta e de origem periférica, Thais não encontrou facilidades para se tornar diretora comercial e de marketing da Systax, mentora e conselheira de startups, investidora-anjo e líder de comitê da Bossa Invest. Na jornada de superação foram imprescindíveis algumas fortalezas que aprendeu a carregar consigo: a família, a Igreja e o autoconhecimento, adquirido por meio de sessões de psicanálise.

Em seu livro recém-lançado pela Trend Editora, “Furei a Bolha – Saia do automático, rompa padrões e reprograme seu destino”, a investidora ressalta a importância que a psicoterapia teve para seu desenvolvimento pessoal e profissional, atuando como peça-chave para que ela se tornasse a pessoa realizada que é hoje. A mentora e conselheira relata que as sessões de psicanálise que frequenta há quase 20 anos foram fundamentais para que ela se fortalecesse mentalmente e enfrentasse dilemas profissionais e de âmbito pessoal que certamente definiram sua trajetória de vida.
“A psicanálise fez parte de todas as grandes viradas na minha vida. Não foi um tratamento contínuo, mas sempre que eu tive uma questão que me incomodava ou que passei por mudança importante levei para a minha terapeuta”, relata Thais. Por exemplo, quando estava em dúvida entre trocar seu emprego numa das maiores empresas da área de soluções de tecnologia fiscal, mas onde já havia encontrado seu teto, por uma oportunidade numa companhia menor, que lhe proporcionaria maiores chances de crescer na carreira, a investidora recebeu de sua psicanalista o questionamento: “O que de pior pode acontecer com você?”.
A pergunta-provocação fez com que ela se conscientizasse sobre o medo que sentia de perder tudo, mas também a despertou para a força que possuía no sentido de superar os inúmeros obstáculos que poderiam aparecer no caminho. A investidora já havia tido uma vida pior do ponto de vista financeiro e nunca deixara de se sentir feliz, não iria ser agora que isso iria ocorrer. “Se eu fosse e não desse certo, poderia ser recontratada ou ir ao mercado. Passar fome eu não iria”. Com a certeza de que nada pior aconteceria com ela, aceitou o novo emprego, decisão mais acertada que tomou. Tornou-se diretora dessa empresa, o que lhe fez abrir diversas portas e conquistar conexões que lhe permitiram se tornar a profissional bem-sucedida que é hoje.

O acompanhamento psicológico e o autoconhecimento obtido por meio dele também foram de suma importância em outros momentos cruciais da vida da diretora comercial. Quando seu filho ficou muito doente e passou 40 dias internado, das sessões de psicanálise emergiu o mantra “Faz parte do meu desafio”, que permitiu manter-se resiliente para continuar ajudando-o a enfrentar e eventualmente vencer a enfermidade. A terapia ainda auxiliou Thais a compreender que seu casamento havia terminado, algo que para uma pessoa muito ligada à Igreja e que sempre sonhou com o “felizes para sempre” era muito duro de aceitar.
A síndrome de impostor que afeta a maioria das mulheres em posições de liderança, impedindo-as de experimentar sem culpa o sucesso também foi tratada na psicanálise, assim como seus traumas com relação a episódios de preconceito que havia sofrido na infância. “Eu apaguei situações em que sofri racismo. Só recordei deles após fazer psicanálise e passar por sessões de hipnose. Então, comecei a trabalhá-los a fim de entender como eles me impactaram – e não deixar que me prejudicassem, inconscientemente”, conta a investidora.
Para a mentora e conselheira, o autoconhecimento adquirido por meio da terapia tem sido tão importante para sua vida quanto o conhecimento técnico. Se este permitiu que ela furasse a bolha social, abrindo-lhe muitas portas, o segundo deu a oportunidade para ela evoluir como pessoa, fortalecendo-a para dar passos maiores, com foco em seus sonhos e objetivos.
E, conforme Thais, como autoconhecimento é um processo que nunca termina, ela sente que a cada descoberta sobre si mesma, evolui ainda mais, preparando-se melhor para dar passos mais seguros e conscientes. “O autoconhecimento é uma jornada que se reinventa e se aprofunda, trazendo um enriquecimento contínuo que complementa e potencializa todas as outras formas de aprendizado”, conclui.