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Analice Nicolau
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Com apenas 24 anos, Txai Suruí é a única ativista indígena e brasileira que discursou no COP26

A jovem criou o Movimento da Juventude Indígena de Rondônia

Analice Nicolau

03/11/2021 11h00

A jovem criou o Movimento da Juventude Indígena de Rondônia

No último domingo, 31, foi iniciada a tão esperada COP26 (Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2021). O evento acontece até o dia 12 de novembro e contou com a participação da Txai Suruí, uma jovem ativista de Rondônia, que defende o povo Paiter Suruí, da Floresta Amazônica.

O evento reúne personalidades políticas e cientistas para discutir estratégias para diminuir as mudanças climáticas provenientes do aquecimento global. O presidente Jair Bolsonaro não esteve no evento, mas o Brasil foi representado pela jovem Txai Suruí. Ela tem 24 anos e o pai, Almir Suruí, é o cacique de um povo que vive há mais de seis mil anos na floresta Amazônica. No Brasil, Almir é conhecido como um dos líderes indígenas mais engajados na luta contra o desmatamento na Amazônia. Por isso, ele já foi ameaçado de morte diversas vezes.

No discurso, a jovem alertou sobre como o clima está esquentando, animais desaparecendo, rios secando e como as plantações já não florescem como antes. “A Terra está falando. Ela nos diz que não temos mais tempo. Vamos continuar pensando que com pomadas e analgésicos os golpes de hoje se resolvem, embora saibamos que amanhã a ferida será maior e mais profunda? Precisamos tomar outro caminho com mudanças corajosas e globais. Não é 2030 ou 2050, é agora”.

A jovem ainda citou a morte de um guardião da floresta, Ari Uru-Eu-Wau-Wau, que é amigo de infância dela. “Enquanto vocês estão fechando os olhos para a realidade, ele foi assassinado por proteger a natureza. Os povos indígenas estão na linha de frente da emergência climática, por isso devemos estar no centro das decisões que acontecem aqui. Nós temos ideias para adiar o fim do mundo”. Ari foi morto com golpes na cabeça em abril de 2020, mas até o momento ainda não há um desfecho para o caso. O que se sabe é que ele estava protegendo uma área indígena que, de acordo com promessas de Bolsonaro, iria em breve ser reduzida.

Por conta de tudo isso, Txai está cursando a graduação de direito e já trabalha na Associação de Defesa Etnoambiental. Recentemente, ela criou o Movimento da Juventude Indígena de Rondônia. A instituição conta com 1700 jovens indígenas filiados. A jovem já liderou atos contra Bolsonaro e o avanço da agropecuária sobre as terras indígenas. Ela pertence continuar a luta contra o desmatamento em favor dos povos indígenas e do planeta Terra.

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