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Analice Nicolau
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Clóvis Bezerra redesenha grandes redutores industriais

Colunista Analice Nicolau

30/09/2026 8h00

Atualizada 29/09/2026 19h03

Clóvis Bezerra redesenha grandes redutores industriais, unindo vivência de chão de fábrica e engenharia mecânica de precisão no Brasil e EUA.

O projetista mecânico Clóvis Bezerra Santos Lima analisa projetos de engrenagens e redutores industriais

O projetista mecânico Clóvis Bezerra Santos Lima converte a vivência prática operacional em engenharia industrial de alta precisão 

No campo da indústria sucroenergética paulista, a transição entre a operação direta e o desenvolvimento de maquinário pesado revela como o conhecimento prático transforma a eficiência fabril. O projetista mecânico Clóvis Bezerra Santos Lima, bacharel em Design de Produto pela Universidade de Franca (UNIFRAN), construiu uma trajetória singular ao iniciar sua carreira aos 15 anos como auxiliar de escritório e, posteriormente, ingressar na Usina Alta Mogiana como auxiliar operacional até alcançar o posto de operador de moenda nível 3. Após consolidar sua transição técnica como desenhista modelista na empresa Roncar, onde projetava componentes e escapamentos para motocicletas em 3D, ele migrou para a Zanini Renk, em Ribeirão Preto. Na empresa, atuou por quase 13 anos desenhando redutores de grande porte. Atualmente radicado nos Estados Unidos, o projetista leva a bagagem de quem domina o ciclo completo dos equipamentos industriais. 

A fabricação de redutores industriais para setores de alta exigência, como açúcar e álcool, mineração, celulose e petróleo, envolve esforços mecânicos que resultam em elevados torques. Uma falha operacional nesses sistemas paralisa cadeias produtivas inteiras e gera prejuízos elevados para as indústrias. Ao longo de quase 13 anos na Zanini Renk, Clóvis participou de mais de 100 projetos de alta complexidade, envolvendo equipamentos avaliados entre R$ 100 mil e R$ 5 milhões por unidade. Entre os destaques técnicos está a participação em redutores de aproximadamente 90 toneladas. O conhecimento do comportamento operacional de moendas permitiu ao profissional antecipar falhas de montagem com a ajuda de softwares de modelagem 3D. 

O projetista mecânico Clóvis Bezerra Santos Lima, especialista em modelagem 3D e redutores industriais de alta precisão (Foto: Acervo Pessoal / Divulgação)

Abandonar a estabilidade do posto de Operador de Moenda Nível 3 sem ter a graduação concluída exigiu determinação para buscar a qualificação na área de desenhos industriais. A mudança para Ribeirão Preto e a passagem estratégica pela Roncar abriram caminho para a atuação com modelagem tridimensional de componentes, unindo a teoria universitária ao olhar apurado sobre a rotina dos técnicos de manutenção. Conciliar jornadas noturnas de trabalho com os estudos na UNIFRAN e diversos cursos técnicos voltados a mecânica, metrologia e pneumática foi fundamental para consolidar sua transição técnica. Essa capacidade analítica preveniu falhas recorrentes em linhas de produção de alta demanda 

Do projeto da moenda ao mercado internacional de transmissão

A observação diária de equipamentos no chão de fábrica foi a direção para o dimensionamento correto de eixos, engrenagens e peças complementares. Durante a análise de um problema reportado pelo cliente, em um redutor destinado a uma usina nas Filipinas, a agitação do óleo gerada pelas engrenagens criava uma espuma densa que bloqueava parcialmente a sucção do sistema de lubrificação. “Quem convive no meio operacional de equipamentos tem a percepção de ruídos, elevações de temperatura e comportamentos mecânicos que às vezes o software não identifica de forma isolada”, aponta Clóvis Bezerra Santos Lima, ao explicar que a solução técnica foi aprofundar a tubulação de sucção para captar o óleo em uma região sem turbulência do óleo, sanando a falha. Essa sensibilidade prática evitou paralisações e danos severos aos componentes internos. 

Um dos pontos que marcou sua trajetória na Zanini Renk ocorreu quando um projeto de novos redutores para a Usina Alta Mogiana chegou à sua mesa de trabalho. O desafio técnico junto a equipe, exigia desenvolver equipamentos que se adequassem ao espaço e as condições da planta existente, sem alterar sua geometria. “Ver na tela toda a estrutura da usina onde comecei foi a validação de que o aprendizado prático e a formação acadêmica se integraram com precisão”, simboliza Clóvis Bezerra Santos Lima, sobre a experiência de desenvolver projetos para a planta em que iniciou sua carreira industrial. 


Padrões internacionais e a transição para o mercado global 

A reputação construída no segmento sucroenergético permitiu a expansão de seu conhecimento para turborredutores de geração de energia e plantas industriais de grande porte. O atendimento a clientes como Petrobras e Votorantim, além de usinas internacionais como U.S. Sugar, Cajun Sugar e St. Marys Cement, exigiu conformidade rigorosa com normas internacionais de vedação e lubrificação. “O auxílio técnico aos novos funcionários e a orientação nos cálculos e desenhos de maior complexidade fortaleceu a padronização dos projetos”, destaca Clóvis Bezerra Santos Lima, ressaltando que o compartilhamento da vivência prática elevou a precisão da equipe de engenharia. Essa bagagem técnica consolidou sua atuação no setor industrial. 

Com o recomeço nos Estados Unidos em 2024, a bagagem acumulada em mais de duas décadas se consolida como referência no desenvolvimento de tecnologias para sistemas de transmissão mecânica em larga escala. A experiência em redutores pesados passa a ser aplicada na modernização de equipamentos, aumento da eficiência operacional e projetos adaptados às necessidades da indústria americana. “A união entre a operação no chão de fábrica e a engenharia de projetos permite entregar soluções de alta precisão para os desafios da manufatura global”, conclui Clóvis Bezerra Santos Lima, ao projetar a expansão de sua atuação técnica no mercado internacional. O histórico de inovação prática ratifica o valor do conhecimento operacional na engenharia moderna. 

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