A escoliose idiopática, forma mais comum da patologia, acomete igualmente meninas e meninos em fase de crescimento, porém, com o público feminino a probabilidade de evoluir para quadros que necessitam de cirurgia é maior.
Dr. Gustavo Cherobin, que atua como cirurgião de coluna, explica em entrevista que para amenizar os danos causados pela escoliose, existem dois tipos de abordagem, a cirúrgica e a mais conservadora, sem intervenção. Causada em especial por fatores genéticos, a patologia deve ser tratada ainda na fase da adolescência, com mais chances de gerar bons resultados.

“As escolioses são patologias mais incidentes na fase do estirão de crescimento. Ela acomete meninas e meninos nesse período, sendo mais comuns e avançadas nas meninas e tendo a necessidade de realizar a cirurgia, uma incidência de quase quatro para um. Então, nessa fase, é onde se procura um maior atendimento, e os atendimentos são principalmente nos hospitais infantis”, conta o médico, que é Membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) desde 2017 e da Sociedade Brasileira de Coluna ( SBC) desde 2019.
O especialista em coluna também alerta que, dependendo da região onde a criança mora, ela não tem acesso a um ortopedista e acaba acessando o atendimento médico necessário para tratar a escoliose, evoluindo para a fase adulta, onde as incidências de cirurgias são menores. “Então, na adolescência, a partir dos 10 anos, é quando ocorre o tratamento dessa patologia, podendo ser com cirurgia ou tratamento conservador”.
O tratamento cirúrgico deste tipo de escoliose ocorre quando a patologia apresenta uma curvatura na coluna acima de quarenta graus. Antes disso, o tratamento tende a ser conservador, com o uso de órteses, em curvaturas acima de 30 graus, ou apenas observacional.
Cherobin diz que os riscos da cirurgia de escoliose em si são pequenos, com taxas de complicações girando em torno de 1%.

“Como todo procedimento cirúrgico, este é feito com a monitorização neurológica intraoperatória, com um neurologista ou neurofisiologista observando todo o sistema neurológico do paciente durante o procedimento. Então, isso acaba gerando uma cirurgia segura, com riscos bem pequenos, em se tratando das escolioses idiopáticas, e não da escoliose neuromuscular, que é outra patologia, ou nas escolioses congênitas, onde ocorre o maior risco de lesão neurológica”, declara o cirurgião.
O objetivo da cirurgia para escoliose é melhorar a curvatura, como explica o Dr. Gustavo. O foco não é deixar a coluna 100% reta, mas sim melhorar bastante e evitar progressão dessa curva, para que o paciente, no futuro, não venha a ter complicações, como a degeneração precoce da coluna, e que ele não venha a apresentar dor futura.
“Após o tratamento cirúrgico, o paciente fica sem realizar atividade física por um período de um ano e meio a dois anos, para que haja a consolidação do procedimento, e o paciente faz fisioterapia e reabilitação até ele ter uma qualidade de vida próxima ou até mesmo completamente normal”, complementa o médico, formado em Medicina pela UNISUL da Grande Florianópolis, em 2013, com residência em Ortopedia e Traumatologia concluída em 2017, no Hospital e Maternidade Marieta Konder Bornhausen (HMMKB), em Itajaí/SC.

Assim que se formou em Ortopedia, o especialista começou a trabalhar, quando então retornou à região de Itajaí e entrou para o corpo clínico do Hospital Marieta, realizando os procedimentos de coluna vertebral. Atualmente, o cirurgião atua fazendo cirurgias de alta complexidade da coluna pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na região de referência de Itajaí, e trabalha em hospitais privados da região, atuando principalmente em cirurgia da coluna vertebral.
Para o futuro, Dr. Gustavo Cherobin quer ver a evolução das técnicas menos invasivas, para que as cirurgias atinjam cada vez mais sucesso, com menos complicações. “Hoje eu trabalho na região e cada vez mais a gente se aprimora com técnicas minimamente invasivas, com procedimentos com menor taxas de complicações e mais sucesso no resultado para os pacientes, para que saiam recuperados e satisfeitos”, finaliza.