O gosto pela gastronomia nasceu ainda na juventude, quando aos 16 anos, o renomado Chef Edson Puiati entrou para o Hotel Escola Senac Grogotó, em Barbacena/MG, onde nasceu. Lá, o mineiro se apaixonou pela culinária e hoje atua como mentor, professor de cursos e coordenador da Frente da Gastronomia Mineira (FGM).

“Eu tinha um equipamento maravilhoso lá, que era o primeiro hotel escola da América Latina, que pertencia ao Senac. Eu comecei como aluno, fazendo curso de cozinheiro (na época nem existia a palavra gastronomia), em 1985, e estar dentro de uma escola me proporcionou fazer muitos cursos, muitos estágios na rede de hotelaria, e a minha formação acabou acontecendo, de fato, dentro da hotelaria, numa época em que ela ditava as regras da gastronomia. Comecei como aluno e saí de lá, em 2012, quase 28 anos depois, como gerente geral”, conta o Chef.

Edson explica que aprendeu a gostar da cozinha através da hotelaria. “É completamente diferente cozinhar em casa, apenas fazer comida pra família e pros amigos. Cozinhar dentro de hotel é um negócio maior, e nós não estamos falando só de fazer uma comida, estamos falando de fazer coffee break, um jantar, casamentos, festividades, reuniões, coquetéis, leilões, festivais de queijo e vinho, enfim, isso realmente me fez me apaixonar pela área e, a partir desta paixão, virou um objetivo de vida”.
Currículo
Entre as suas formações, estão o curso de Administração de Empresas, especialização em Gestão Educacional e em Segurança Alimentar, além de participar como docente de vários cursos de pós-graduação pelo Brasil. “Minha vida sempre foi em volta disso, de gestão, de gastronomia, hotelaria, segurança alimentar, e como eu sempre estive na área da educação, eu resolvi fazer essa especialização em Gestão Educacional”.

Atualmente, Puiati atua como consultor, professor (com alguns cursos exclusivos em parceria com a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, onde vive desde 2013), além de prestar consultorias pelo Sebrae em todo o estado de Minas Gerais, tanto para empresas quanto para municípios que estão em processo de desenvolvimento da cultura alimentar em suas regiões.
Além disso, o Chef também é coordenador da FGM – um fórum participativo de defesa, preservação e promoção da gastronomia do estado -, tendo assumido o cargo em janeiro deste ano, após ter sido membro durante oito anos. “Eu tô na ativa com um objetivo muito grande de descentralizar a frente da gastronomia, que ficava muito restrita à Belo Horizonte e Grande BH, de modo geral. Então, a gente tá criando regionais espalhadas pelo estado, fazendo uma conversa com a região central”.

Paixão pela gastronomia mineira
O Chef declara ser encantado pela cozinha mineira e pela diversidade natural e cultural da região. “Os saberes e fazeres da cozinha mineira me encantam muito. Comer, por exemplo, um feijão tropeiro aqui em Belo Horizonte, é completamente diferente de comer lá em Januário, por exemplo, em Montes Claros. A gente sabe que o feijão tropeiro é único, mas o modo de fazer de cada região tem suas peculiaridades, e isso me deixa muito curioso. São as influências étnicas, são as culturas de famílias, e, acima de tudo, são também os biomas, que são territórios, os terroás, que fazem a grande diferença das regiões. Em Minas Gerais somos muito ricos, a gente tem quase todos os biomas presentes dentro do estado. Temos uma cozinha muito diversa e isso me encanta demais. Sou alucinado por ingrediente, cozinhar é uma alquimia”.
Conselhos para os iniciantes
“Tem que gostar muito, sabe? Tem que ser apaixonado pela natureza, pela cadeia produtiva que envolve a alimentação”, declara Edson, e continua: “Cozinhar não é só fazer um prato lindo, fazer uma foto e botar no Instagram, não é nada disso. Cozinhar é entender o ingrediente, saber de onde ele vem, qual a periodicidade de produção dele, quando é que ele está no auge, qual a melhor forma de prepará-lo, é o respeito à natureza. Para eu fazer uma comida, eu tenho que entender de onde vem aquele ingrediente, como ele foi tratado. Me incomoda muito ver os entrepostos, os sacolões, desperdiçando comida, com tanta gente passando fome”.
Puiati finaliza ao dizer que “cozinhar é conhecer o ingrediente, conhecer o território, conhecer as influências étnicas locais e conhecer técnica. Quem consegue fazer tudo isso, vai ter sucesso muito grande na carreira”.