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Analice Nicolau
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Cenas de um Casamento 50 anos depois: entenda como o amor e as normas de gênero se transformaram?

Saiba como a série da HBO subverte estereótipos de gênero e relações conjugais

Analice Nicolau

04/07/2023 17h00

No ano de 1973, o renomado diretor Ingmar Bergman apresentava às telas da TV sueca a intimidade do casamento de Marianne e Johan em “Cenas de um Casamento”. Agora, meio século depois, a série retorna em uma adaptação produzida pelo diretor Hagai Levi, disponível no streaming da HBO. Dessa vez, o sofá de veludo verde acomoda Jonathan e Mira, cuja relação conjugal é examinada por uma estudante de doutorado interessada em como as normas de gênero afetam casamentos monogâmicos.

Com o inevitável paralelo entre as duas versões da série, separadas por meio século de profundas transformações sociais, surge uma questão intrigante: emoções conjugais têm história? Afinal, o ideal de casamento passou da felicidade, definida como “contentamento” para Marianne, ao “equilíbrio” na divisão de tarefas, fundamental para Mira. Essa mudança de ideal reflete as novas bases para um casamento bem-sucedido.

Enquanto Marianne acreditava que “o amor é tão raro que quase ninguém o vivencia” e defendia que “gentileza, afeto, humor, amizade e tolerância” são elementos essenciais para a felicidade conjugal, Jonathan, décadas mais tarde, afirma que “o casamento é uma plataforma que permite desenvolvermos como indivíduos”. Essas diferentes perspectivas revelam como as emoções e os ideais conjugais evoluíram ao longo do tempo.

Para Marcia Esteves Agostinho, autora do livro “Por que casamos” (Editora Almedina, 2023), a série da HBO, sob a direção de Hagai Levi, também subverte a estereotípica relação de gênero ao fazer de Mira a personagem feminina que provê e trai, enquanto cabe ao marido, Jonathan, cuidar da família e ser leal ao compromisso conjugal. Apesar dessa troca de scripts, a estrutura dos binômios poder/traição e cuidado/lealdade permanece intacta. Será sempre assim?

“Diante dessas questões, torna-se crucial compreender até que ponto emoções como amor, orgulho, compaixão e lealdade interagem entre si. Será que essas emoções se transformam ao longo do tempo? Essa é uma pergunta que historiadores apenas começam a formular, mas que já aponta o potencial da História das Emoções para lançar luz sobre os dramas contemporâneos e as experiências individuais”, destaca Marcia.

A escritora lembra ainda que “Mira lamenta, muitas pessoas desabam sob o peso de exigências emocionais fantasiosas. Talvez o fardo se torne mais leve quando os casais descobrirem que não o carregam sozinhos”. As exigências emocionais tendem a ser coletivas, respondendo ao contexto histórico das experiências individuais. “Aprender sobre como as emoções conjugais se transformaram ao longo do tempo nos ajuda a entender os desafios e alegrias do casamento no presente”, finaliza Marcia.

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