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Analice Nicolau
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Casais homoafetivos encontram na reprodução assistida a concretização do sonho de serem pais

Avanços na medicina reprodutiva e na aceitação social impulsionam procura por tratamentos de fertilização entre casais do mesmo sexo

Analice Nicolau

12/06/2023 17h00

A procura por tratamentos de reprodução assistida tem crescido significativamente entre os casais homoafetivos do país, revelando uma nova realidade na busca pelo sonho da paternidade e maternidade. Segundo dados do setor, eles são responsáveis por um em cada 10 procedimentos de fertilizações realizadas, mostrando como os avanços na medicina reprodutiva e a aceitação social têm possibilitado a concretização desse desejo.

De acordo com uma pesquisa realizada pelo Datafolha, atualmente, oito a cada 10 brasileiros, ou seja, 78% da população, afirmam que a homossexualidade deve ser aceita. Esse aumento na aceitação tem criado um ambiente mais favorável para que casais homoafetivos possam buscar tratamentos de reprodução assistida, sabendo que têm o apoio da sociedade.

Os principais tratamentos disponíveis para esses casais são a inseminação artificial, a fertilização in vitro (FIV) e a barriga solidária, concedida por parentes de até quarto grau. A escolha do tratamento depende das particularidades de cada casal, como ginecologistas e especialistas explicam. No caso de casais formados por homens, é necessário abordar a necessidade de uma barriga solidária, enquanto casais com duas mulheres podem recorrer ao banco de sêmen.

O casal Wilson e Carlos compartilhou sua história, que envolveu a ajuda de uma prima para a realização do sonho da paternidade. Para eles, a fertilização in vitro surgiu como uma possibilidade de ter um filho biológico. Wilson mencionou que Carlos já tentou adotar algumas vezes, mas as circunstâncias não eram favoráveis na época. A FIV se tornou uma alternativa promissora, impulsionando-os a buscar o tratamento.

Recentemente, o número de ciclos de Fertilização in vitro (FIV) voltou a crescer no Brasil, após chegar ao menor patamar dos últimos anos. Segundo o relatório do Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio), em 2022 foram realizados mais de 42 mil ciclos de fertilização, representando um aumento de 22% em comparação aos dados de 2020.

O ginecologista Condesmar Marcondes de Oliveira Filho, membro da Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), destaca que a inclusão da garantia do tratamento de reprodução assistida para casais homoafetivos pode ter impulsionado esse crescimento. Ele ressalta que a procura de casais do mesmo sexo que desejam engravidar tem aumentado exponencialmente nos últimos anos, e cada caso requer um tratamento diferenciado.

Os tratamentos de reprodução assistida oferecem maior diversidade de opções para casais femininos, como explica o especialista. É possível utilizar o sêmen de doador por meio da compra em bancos especializados, além de permitir que apenas uma das partes realize os procedimentos ou que ambas façam parte do tratamento.

Marina e Rayanne, um casal de servidoras públicas, deram à luz ao pequeno Nicolas por meio do tratamento de fertilização in vitro. Elas destacam a importância de pesquisar e entender as diferenças entre os processos de inseminação e fertilização para tomar a decisão mais adequada. O acompanhamento médico também desempenha um papel fundamental, levando em conta fatores como idade e histórico clínico para determinar a melhor estratégia de tratamento.

Mais do que um tratamento, a busca pela reprodução assistida representa um ato de amor e uma conquista pessoal para esses casais. Marina e Rayanne esperam que sua história ajude a quebrar barreiras e inspire um futuro melhor para o pequeno Nicolas, destacando a importância da representatividade e do apoio de profissionais comprometidos com a realização dos sonhos de diversidade familiar.

Wilson e Carlos também enfatizam o impacto positivo de sua história, acreditando que estão construindo um mundo mais amoroso e sem preconceitos ao plantar sementes de respeito e igualdade nos corações das pessoas ao seu redor.

No final das contas, a busca pela paternidade e maternidade ultrapassa os limites da orientação sexual e se torna um caminho de esperança e realização para todos aqueles que sonham em formar uma família.

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