O carro do influenciador digital Lucas Pellegatta, conhecido nas redes sociais por “Lucas o sincero” pegou fogo na garagem do prédio onde mora com o marido, o psicólogo e palestrante, Francesco Pellegatta em Salvador, uma semana antes do carnaval 2023.

Crédito: Arquivo pessoal
O incidente foi flagrado pelo zelador do prédio residencial, que foi quem informou ao casal e quem conteve as chamas com o auxílio de um extintor de incêndio. Pelo circuito interno de câmeras do condomínio foi possível constatar que não houve nenhuma movimentação de pessoas próximas ao veículo, o que indica que o incêndio pode ter iniciado devido a problemas elétricos.

Crédito: Arquivo Pessoal
O veículo modelo Yaris da montadora Toyota foi adquirido pelo influenciador há três anos, não tinha atingido nem 17 mil km rodados – a média anual dos brasileiros varia entre 15 a 20 mil km – estava com as revisões em dia e não havia apresentado nenhum tipo de problema ou pane elétrica anteriormente.
Segundo Lucas, ao ser informado do incidente, “a primeira reação foi um estado de choque, pois o carro estava estacionado ao lado de outros veículos e a poucos metros da tubulação de gás do condomínio, o que poderia ter causado uma tragédia”.

Crédito: Arquivo Pessoal
Os momentos que seguiram ao incêndio não foram mais tranquilos, Lucas desenvolveu crises de pânico e ansiedade e passou a ter dificuldade para dormir, além de ter vários problemas em razão de um grande contratempo com a seguradora Azul Seguros, responsável pelo seguro veicular
“Além das incongruências da seguradora, que telefonicamente deram perda total, por e-mail indenização integral e depois por telefone voltou atrás e disse que não foi perda total. Enfim, dessa forma podendo vender o veículo colocando a vida de outras pessoas em perigo, me parece que a seguradora e a montadora estão com a responsabilidade solidária uma com a outra”, explica o influenciador.
Crédito: Arquivo pessoal
De acordo com Lucas, a seguradora alegou que devido aos danos, a perda considerada foi a integral e não total, o que representou uma indenização de 75% do valor do veículo. Além disso, o laudo com a conclusão das causas do incêndio não foi entregue, o que fez aumentar a sensação de insegurança, por continuar desconhecendo as razões do incêndio.
Segundo Joedson Gomes, advogado de Lucas, “a seguradora tem negado ao consumidor o direto que lhe assiste quanto a transparência. Segundo o artigo 30 do Código de Defesa do Consumidor, quando a seguradora nega o acesso ao laudo, vistoria, qualquer dado que seja importante para elucidação do caso, pois é direto do consumir conhecer da causa. No caso de Lucas, vemos que o suporte emocional é devido principalmente pela montadora do carro, visto que, todos os transtornos foram causados por possível defeito ou vício do produto, respectivos artigos 2 e 18 do CDC, transtornos esses que poderiam ser piores, caso o consumidor estivesse dentro do carro no momento do ocorrido”.
“Eu só tenho uma certeza: não vou voltar a comprar carros desta marca. Eu fiquei com uma sensação de insegurança muito grande. Será que vou conseguir dirigir novamente? Será que vai acontecer com outro carro? E se eu estiver dentro do carro? Eu preciso de respostas”, desabafa Lucas.
A Azul Seguros foi procurada, e em nota respondeu que: “após análise do processo e vistoria para constatação dos danos, o processo foi decretado como Indenização Integral, e uma vez que a apólice contempla a cobertura de incêndio, o processo foi encerrado e a indenização realizada. Não houve laudo técnico para análise da causa”. Entretanto, a Azul Seguros não informou se irá realizar um laudo para entregar ao contratante ou se outro documento será entregue.
Para o advogado, “seria importante ressaltar quanto o prazo de 30 dias, após entrega dos documentos, transparência da seguradora com o segurado, quanto aos dados que motivaram a decisão, laudo técnico que conste a causa do sinistro. Além de fazer o BO na delegacia mais próxima, bem como entrar em contato com a montadora, para noticiar sobre o fato ocorrido, até como forma de prevenir que outros sejam acometidos por problemas parecidos. É importante registrar tudo. A produção de prova é medida necessária para a reparação dos eventuais danos”, pontua dr. Joedson.
A assessoria de comunicação da Toyota do Brasil respondeu por meio de nota na manhã de 28 de março:
“A Toyota do Brasil informa que tomou conhecimento do caso em 23 de março de 2023, após contato realizado pelo cliente via SAC. Toda a atenção foi dada ao cliente, além da orientação de que o veículo fosse encaminhado para uma concessionária da marca para avaliação. No entanto, nessa data, o veículo já estava em posse da seguradora. Reiteramos nosso compromisso com a qualidade, confiabilidade e segurança de nossos produtos”.
Para Lucas, “são tantos meios de transportes disponíveis no Brasil e ao mesmo tempo, tantos acidentes em todos eles. Em geral, eles deveriam ser mais seguros, ajudar as pessoas a se locomover em paz. Qual o tipo de segurança que é de fato garantida no Brasil? Seria muito importante se tivéssemos leis mais rígidas e mais segurança”.