O uso de cannabis medicinal está sendo apontado como uma solução eficaz para tratar a insônia e melhorar a qualidade do sono, de acordo com o Dr. Arailton Neto, médico prescritor de canabidiol (CBD). No Brasil, onde cerca de 73 milhões de pessoas sofrem de distúrbios do sono, segundo a Associação Brasileira do Sono (ABS), a busca por tratamentos naturais está em alta, e o CBD tem ganhado espaço como uma alternativa promissora.

De acordo com dados da ABS, a insônia afeta de 56% a 74% dos pacientes em um período de um ano, sendo que 46% deles enfrentam o problema de maneira contínua. A insônia, frequentemente associada a transtornos de humor, ansiedade e dores crônicas, pode durar até três anos em sua forma crônica, e impacta gravemente a qualidade de vida. “O CBD é uma substância não psicoativa que pode melhorar o sono ao reduzir a ansiedade, aumentar o tempo total de sono e diminuir despertares noturnos. Com a dosagem adequada, ele se mostra eficaz sem os efeitos colaterais comuns a muitos medicamentos”, explica o Dr. Neto.


Historicamente, substâncias naturais, como chás e xaropes à base de plantas, foram usadas para melhorar o sono, mas a cannabis medicinal surge como uma solução moderna. Produtos como os da startup Humora combinam o poder do CBD com fitoterápicos como melatonina, valeriana e lavanda, criando uma abordagem mais robusta ao combate da insônia.
A busca por soluções para insônia também reflete a mudança de comportamento dos brasileiros. Segundo levantamento da Timelens, a melatonina foi a substância mais pesquisada em 2023 no Google, com 17,5 milhões de buscas. Esse número aumentou seis vezes desde a aprovação do suplemento pela Anvisa em 2021, demonstrando o crescente interesse por tratamentos naturais.
Além de tratar insônia, estudos recentes da Universidade da Flórida mostram que a cannabis pode ajudar a reduzir pesadelos em pacientes com Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT). “Ela não apenas melhora o tempo total de sono, mas também aumenta a qualidade, ampliando as fases mais profundas e reparadoras do ciclo”, acrescenta o médico.
O crescente interesse por soluções menos invasivas reflete a mudança na forma como as pessoas abordam saúde e bem-estar. “A cannabis medicinal, apesar de nova para muitos, está conquistando espaço, tanto no meio científico quanto na aceitação popular. À medida que mais estudos surgem e mais pacientes relatam melhorias, a tendência é vermos um aumento no uso responsável dessa substância”, conclui o Dr. Arailton Neto.