O Brasil está intensificando seus esforços para combater a tuberculose, uma doença curável e prevenível, através do fortalecimento do diagnóstico e outras estratégias. O Ministério da Saúde estabeleceu o objetivo de reduzir a incidência da doença para menos de 10 casos por 100 mil habitantes e ter menos de 230 óbitos até 2035.

Atualmente, a taxa de incidência é de 32 casos por 100 mil habitantes, com 68,2 mil casos notificados pelo Ministério em 2021. No entanto, a pandemia de COVID-19 resultou em uma redução das notificações. O Brasil, juntamente com outros 15 países, foi responsável por 93% da diminuição das notificações da tuberculose no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde.
Entre os testes para diagnóstico da tuberculose, a cultura em meio líquido automatizada é vista como referência na avaliação do diagnóstico da doença. A Dra. Erica Chimara, pesquisadora e diretora técnica do Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo, explica que o teste é o padrão-ouro para a detecção da tuberculose, com uma proporção de detecção 17% mais alta que a cultura sólida.

Desde o ano passado, o Brasil passou a contar com a cultura líquida automatizada para detecção de microbactérias e o teste de sensibilidade aos antimicrobianos utilizados no tratamento da tuberculose, adotados pelos Laboratórios Centrais (Lacens) do país.
“A cultura em meio líquido é importante para que seja realizada a identificação e detecção de resistência, informação que auxilia o clínico na escolha do tratamento adequado”, ressalta a especialista.
De acordo com a OMS, o bacilo da tuberculose é o segundo patógeno mais mortal depois do novo coronavírus. A maioria das vezes, afeta os pulmões e se espalha quando as pessoas infectadas expelem essas bactérias no ar, por exemplo, tossindo. O relatório mundial publicado pela entidade no ano passado apontou que cerca de 10,6 milhões de pessoas contraíram a doença em 2021, uma cifra 4,5% superior à de 2020, e 1,6 milhão morreram por esta causa.
Muitos dos novos casos de tuberculose são atribuídos a cinco fatores de risco: desnutrição, infecção pelo HIV, transtornos por uso de álcool, tabagismo e diabetes. A vacina BCG, ministrada na infância, é indicada para prevenir as formas graves da doença.