O ano da família da bailarina Elisa Neves começa cercado de expectativas sobre a mudança de estado do Rio de Janeiro para Santa Catarina. A família vai deixar o calor da região Sudeste para encarar o frio da região Sul e o desafio de seguir acompanhando a filha na escola de Balé Bolshoi Brasil.

Crédito: Elisa Neves / Arquivo pessoal
Desde muito novinha, Elisa mostrou grande aptidão para o balé, e chamou a atenção dos professores. O talento se confirmou com a ida para o Bolshoi. Os primeiros passos, ela aprendeu com a mãe e logo cedo passou a frequentar as escolas de balé onde foi desenvolvendo o seu talento.

Crédito: Elisa Neves / Arquivo pessoal
Uma das primeiras lições que aprendeu foi que na vida, assim como no balé, é preciso ter firmeza e suavidade para dar os passos certeiros nas decisões e leveza para ser conduzida pelas oportunidades. “Eu sempre amei o balé e quando a gente tem amor pelo que faz e se dedica, as coisas acontecem naturalmente”, afirma Elisa, de apenas 10 anos.
Quando a chance apareceu, Elisa estava pronta para superar o primeiro grande desafio. Ela participou das seletivas para o balé Bolshoi Brasil e foi aprovada. “Foi tudo muito rápido. Os testes em São Paulo e depois em Santa Catarina. Quando soube que fui aprovada eu fiquei muito feliz”, comenta.

Crédito: Elisa Neves / Arquivo pessoal
Este ano, a jovem bailarina irá estudar na escola que o Bolshoi mantém em Joinville, Santa Catarina. É um passo importante para a formação dela, mas que vai exigir sacrifícios da Elisa e da família. Após deixar a cidade natal, vem a segunda grande mudança na vida da menina: nova escola e novos amigos.
Como tudo aconteceu muito rápido os pais de Elisa não tiveram tempo de conhecer a cidade. Por isso, decidiram fazer um processo de adaptação antes de se instalar definitivamente. No começo, a mãe vai acompanhar a filha em Joinville enquanto o pai vai ficar no Rio tocando os negócios da família.
“A princípio, a gente vai só com algumas coisas. Não é a mudança total. Precisamos ver tudo com calma e se situar na cidade em relação às distâncias, especialmente no deslocamento entre a escola e o balé”, afirma Elaine Neves, mãe da bailarina que já está sendo chamada de ‘a fadinha das sapatilhas’.
Para Elaine, a filha é comparada à skatista de medalha de ouro pelo Brasil, Rayssa Leal, devido a dedicação e a prematuridade com que as duas se lançaram em suas carreiras. “Se o balé não chega a ser um esporte olímpico e não distribui medalhas, pelo menos tem as equipes favoritas e estou orgulhoso da minha filha estar numa das maiores do mundo”, atesta.
Quando Elisa foi matriculada no balé, a família não imaginava que a criança tinha algum talento excepcional não revelado. Era para ser uma atividade física que proporcionasse bem-estar, percepção de espaço, treino de equilíbrio, desenvolvimento da coordenação e todas as buscas que uma mãe faz ao buscar uma modalidade para os filhos desta idade.
“Acontece que não demorou muito e passei a ser comunicada pelas professoras que ela tinha um potencial maior, que deveríamos incentivar”, relembra a mãe. Esse potencial está levando Elisa a outro nível de dedicação. Uma rotina de ensaios e estudos aprofundados sobre o balé, além de todo o currículo do ensino regular esperam pela menina em Joinville.
Mas nada que tire o entusiasmo dela ou diminua as expectativas em relação aos novos caminhos que se abriram. “Eu sempre fui muito dedicada e a dança faz parte do que eu sou. Sei que vou aprender bastante e que isso tudo vai ser muito importante pra mim e pra minha arte”, finaliza Elisa Neves.