O transtorno do espectro autista, conhecido como TEA ou autismo, é uma condição que afeta a interação social, comportamento e comunicação de quem o possui. Pacientes com autismo apresentam dificuldades de linguagem, socialização e desenvolvem comportamentos restritivos e repetitivos em diferentes graus.

Embora não haja cura para o transtorno, o tratamento multidisciplinar pode melhorar significativamente a qualidade de vida do indivíduo, principalmente na comunicação, interação social e comportamento. Esse acompanhamento envolve uma equipe composta por médicos, fonoaudiólogos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, nutricionistas, fisioterapeutas e psicopedagogos.
De acordo com a pediatra e professora de medicina da Unic, Karinna Faro, embora o autismo não tenha cura, as terapias direcionadas podem ajudar a criança a adquirir as habilidades funcionais esperadas para sua idade. “O número de casos identificados tem crescido bastante, e a idade avançada dos pais e a prematuridade têm contribuído para esse aumento. É muito importante lembrar que quanto mais cedo forem iniciadas as intervenções, melhor será a qualidade de vida da criança, considerando o período de neuroplasticidade que são os primeiros 2 anos de vida”, explica a especialista.

Para identificar os sinais do transtorno do espectro autista, é preciso observar as características mais evidentes relacionadas à comunicação social e à presença de comportamentos disfuncionais. Crianças com autismo podem apresentar dificuldade em estabelecer envolvimento social, entender expressões e emoções, demonstrar falta de interesse ou dificuldade em brincar com outras crianças da mesma idade, apresentar varredura ocular podre e não sustentada, não responder aos chamados pelo nome e não perceber a aproximação de um adulto.
Quanto à linguagem, a criança com autismo normalmente apresenta atraso na fala e/ou dificuldade em usar as palavras como um instrumento de comunicação e expressão. Em relação à motricidade, algumas crianças com autismo andam na ponta dos pés, fazem movimentos de exaltação com as mãos, andam em círculo e fazem movimentos repetitivos disfuncionais, representando as alterações sensoriais características do espectro.
A seleção alimentar severa é outra característica que pode estar presente em alguns pacientes com autismo, levando a carências nutricionais e alterações intestinais.
A avaliação do diagnóstico do autismo é realizada por observação, acompanhamento e testes padronizados por uma equipe especializada em desenvolvimento infantil, composta por médicos, fonoaudiólogos, psicólogos e terapeutas ocupacionais. Não há exames laboratoriais ou de imagem que confirmem o transtorno.
Para as famílias, é fundamental o apoio emocional e a compreensão da natureza do transtorno, além da direção precoce para as terapias, já que é um período delicado para todos os envolvidos.