Nascida em Jaraguá, no estado de Goiás, Léia tem uma história de inspiração para muitas pessoas. Aos 50 anos, moradora da zona rural de Fazenda Campo Alto, em Grão Mogol/MG, é funcionária pública há 30 anos, onde atua como professora do primeiro ao quinto ano do Ensino Fundamental, e presidente voluntária da Associação Comunitária do Campo Alto.

Além disso, ainda encontra tempo para também liderar a produção de doces, uma empresa de agroindústria inaugurada em 9 de agosto de 2009, através do Programa de Combate à Pobreza Rural (PCPR) para uso coletivo da Associação Comunitária dos Moradores de Campo Alto.
“Desde 2011, processo a cana de açúcar nas instalações da agroindústria, hoje legalizada sanitariamente pela Vigilância Sanitária. Toda a produção é comercializada para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), comércio local, feiras livres, cooperativas e no varejo, atendendo demandas”, explica a empreendedora.k

Primeira agricultora do seu município a ter o selo da agricultura familiar, Léia produz seus doces em agroindústria inaugurada em 2009, através do Programa de Combate à Pobreza Rural (PCPR)E complementa: “Desde o início, recebo assistência técnica da Emater e, recentemente, a equipe da Emater de Montes Claros, na pessoa de Cleide Neves e Beatriz Cristina, me dão orientação técnica”.
Dentre os produtos 100% naturais que Léia fabrica, estão: Açúcar mascavo (somente o caldo da cana); Rapadura (somente o caldo da cana); Rapadurinha de 28g (somente o caldo da cana); Melado (somente o caldo da cana); Doce de mamão (caldo da cana, mamão verde, leite e cravo); Doce de laranja (caldo da cana, laranja da terra, leite e cravo) e Doce de amendoim (caldo da cana, amendoim torrado, leite).

“Com foco na oferta de um alimento seguro e saudável, toda a minha produção é comercializada e estou sempre em busca de novos mercados”, conta a goiana, que revela ser o açúcar mascavo o carro-chefe da sua produção.
Primeira agricultora do seu município a ter o selo da agricultura familiar, Léia diz que algumas receitas ela aprendeu com a família do seu marido, Genésio, com quem é casada há 28 anos, pai dos seus três filhos, dos quais fala com orgulho.

“Tenho o selo da agricultura familiar, isso foi muito bom pois agrega valor aos produtos. Eu e minha equipe fizemos um curso pelo SENAR para aprender a fazer os derivados da cana”, divide a empreendedora, que atua ao lado da sua madrasta, sua irmã e os dois filhos dela. “Quando aperta, procuro mais pessoas pra ajudar”.
E continua: “Me considero uma pessoa feliz. Sou evangélica, casada com Genésio há 28 anos, que amo muito. Tenho três filhos que são bênçãos: a Kattiony, com 29 anos, solteira, enfermeira, trabalha e mora em Belo Horizonte; o Luiz Fernando, 23 anos, está cursando direito (último período), vai pra faculdade em Montes Claros todos os dias no ônibus dos estudantes, sai de casa às 16 horas e volta pra casa 1h30 da manhã, são 210 km pra ir e voltar; e o Thiago, 19 anos, que ainda está aqui conosco, ajudando cuidar de tudo. Graças a Deus meus filhos são abençoados, muito trabalhadores, obedientes e honestos. Vivemos tranquilos, graças a Deus!”.
Em entrevista, com noção da sua força identitária, ela afirma: “Esqueci de declarar minha cor, sou negra. Uma negra abençoada!”.

Para o futuro, Léia deseja continuar produzindo e que as vendas continuem aumentando. “Se Deus permitir, pretendo continuar trabalhando e produzindo muito. Tomara que melhore o mercado, para que toda minha produção seja vendida. A minha maior dificuldade ainda são as vendas, pois tenho condição de produzir bastante, mas os clientes ainda estão poucos, queria vender mais. Pretendo também usar as redes sociais para ajudar, pois ainda não faço isso”, finaliza.