No dia 10 de novembro, a Secretaria de Cultura de Belford Roxo, no Rio de Janeiro, recebeu o lançamento do livro “Sarau Afro-Indígena – Primeira Antologia do Projeto Social-Literário Afro-indígena”, na Casa de Cultura, localizada no bairro Nova Piam.

A obra é uma reunião das poesias de 170 autores, dentre eles alunos e professores da Rede Municipal de Ensino da Baixada Fluminense, além de participações de outros escritores convidados, não só do Brasil, mas de Moçambique e Suíça. As responsáveis por reunir os trabalhos dos autores são as escritoras Márcia Ribeiro Joviano, Isabel Cristina, Gonçalves da Silva, Fernanda Lisboa e Ana Paula Cunha.
O projeto
Em entrevista à coluna, Valéria Assis, professora e idealizadora do Projeto Social-Literário Afro-Indígena que inspirou o livro, conta que ele surgiu através dos resultados positivos do Jornal Literário Afro-Indígena, criado durante o período de isolamento social causado pela pandemia para que alunos pudessem expressar a arte através da escrita.
“Esse jornal foi criado porque, na quarentena, todos passaram a desenvolver seus trabalhos por intermédio de vídeos ou lives e eu não tive nenhuma habilidade, precisei pensar em alguma forma de trabalhar, fiz esse jornal. No retorno das aulas presenciais, eu encantada com o potencial e pelas poesias dos alunos, pensei em publicá-los e nesse momento surge o Projeto Social-Literário Afro-Indígena”, explica Valéria.

A iniciativa tem como objetivo “inserir no mundo literário alunos da Rede Pública para que expressem seus sentimentos e convicções diante da realidade dura e cruel com o racismo, que mata, aleja ou amarga cada vida preta e indígena. Dar aos jovens escritores o poder da fala e o conhecimento da literatura tão importante para a formação dos cidadãos, além de oferecer a oportunidade de ser um escritor”, completa a professora.
O sarau acontece em sala de aula, com apoio da equipe pedagógica das escolas envolvidas e com atuação direta com o professor regente, professores de sala de leitura, poetas, outros saraus e implementação da Lei nº 11645 de 10 de março de 2008.
Lançamento do livro
A idealizadora do projeto fala com orgulho sobre o dia do lançamento. “Foi muito lindo! Foi gratificante ver os alunos autografando, tirando fotos com outros artistas e autografando com a escritora Ana Diamante e eu. Foi muito emocionante! Eu cresci em Belford Roxo, e relembrei lugares que foram substituídos por outros”.
E prossegue, sobre como foi feita a seleção das poesias para o livro: “No momento em que idealizei o projeto, convidei meu amigo Adriano Alvarenga de Azevedo para ajudar organizando os textos no e-mail e administrando um grupo de coautores formado por nossos amigos escritores e amigos de nossos amigos”.

Expectativas
A professora finaliza dividindo suas expectativas com o lançamento da obra, que foi financiada pelos seus rendimentos. “Fazer com que os novos escritores tenham oportunidade de autografar e interagir com os escritores renomados que fazem parte da Antologia. Para alcançar esse objetivo, duzentos livros seriam pouco, então precisei fazer uma tiragem ousada de mil livros. Só assim poderia garantir vários momentos de autógrafos e interação entre os novos escritores, oriundos da Rede Pública, e os escritores convidados a participar do projeto, apadrinhando os nossos alunos”.

E expressa sua preocupação com a continuidade de outras antologias: “Creio que daqui a algum tempo estarei numa dessas feiras literárias e encontrarei alguns desses escritores inseridos no mundo literário através desse trabalho que paguei com meu próprio salário, mas temo não conseguir dar continuidade porque, para o próximo ano, irei mesmo precisar de ajuda para os custos”.
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