Pesquisa da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica e Estética (ISAPS), nos últimos dez anos, confirma que a realização de procedimentos estéticos por homens aumentou 15%. Hoje, eles já representam cerca de 35% dos atendimentos nas clínicas de estética e cirurgias plásticas. E, em se tratando de intervenções faciais, a rinoplastia é a segunda cirurgia mais realizada por este público, saltando de 5% para 30% nos últimos cinco anos, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).

Mas, o que teria levado a esse boom na procura por parte do público masculino? “Durante muitos anos, os homens carregaram o estigma de que não poderiam fazer cirurgias plásticas porque pensavam ser algo feminino. A gente vê que isso tem diminuído, muito por causa das redes sociais. Eles veem que mais gente está buscando procedimentos e acabou sendo normalizado”, afirma Felipe Buschle, otorrino especialista em rinoplastia.
O médico recebe, em sua clínica, pacientes interessados em ter um nariz esteticamente melhor, ainda com aspecto masculino. “O dorso muito alto, ou seja, o famoso calombinho, a ponta caída ou muito larga, e o dorso muito largo são as principais queixas, que têm incomodado muitos os homens, que acabam tendo a autoestima e autoconfiança afetadas”, conta Felipe Buschle, lembrando que eles começam a procurar as cirurgias a partir dos 20 anos.
Técnicas modernas e aplicadas ao tipo de pele do homem
As técnicas aplicadas para a rinoplastia masculina são as mesmas voltadas às mulheres, informa Felipe Buschle. “Temos as técnicas tradicionais, em que usamos o martelo e cinzel, para fazer o ajuste do dorso, mas prefiro técnicas mais modernas, que eu uso, como a rinoplastia ultrassônica, para fazer a escultura do dorso, com muito mais precisão e segurança, e a rinoplastia estruturada, que acho mais importante. Em geral, os homens têm uma pele mais pesada, então a gente precisa fazer uma estrutura forte para o nariz ficar bonito e se manter assim por muitos anos”.

O médico lembra que o padrão de beleza do homem difere do padrão da mulher, mas ele procura sempre aliar a técnica cirúrgica aos desejos dos pacientes. “No caso do homem, em geral, tendemos a deixar o dorso mais reto, e o ângulo nasolabial – entre o nariz e o lábio – em torno de 95 a 100 graus, ou seja, temos o cuidado para deixar o nariz menos empinado. E a ponta, a gente não vai deixá-la tão definida como a gente faria em um nariz feminino. Mas isso tudo é muito personalizado para cada paciente e a gente vai sempre fazer adaptações”, conclui Felipe Buschle.