Um levantamento inédito realizado pela Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), aponta que mais de 425 mil brasileiros foram internados para tratamento de tromboses venosas entre janeiro de 2012 e maio de 2022.

O cálculo aponta que, todos os dias, em média 113 pessoas são internadas na rede pública para tratar o problema. A situação preocupa especialistas, que alertam para os riscos de a doença desencadear quadros clínicos ainda mais graves, como a embolia pulmonar.
O estudo, elaborado a partir de registros oficiais do banco de dados do Ministério da Saúde, evidencia a necessidade de os brasileiros prestarem muita atenção aos cuidados diários relacionados à saúde vascular, como alerta o presidente da SBACV, Julio Peclat.

“O volume de internações por tromboses venosas, além de ser preocupante do ponto de vista clínico, revela um cenário precário no que se refere às práticas de autocuidado pelos brasileiros, considerando que o problema pode ser evitado com a adesão de medidas simples, como a prática de exercícios físicos e o controle do peso corporal”.
A doença
A trombose venosa ocorre quando há a formação de coágulos de sangue dentro das veias, principalmente nos membros inferiores, impedindo o fluxo natural do sistema cardiovascular.

Essa condição pode causar manchas arroxeadas ou avermelhadas nos locais afetados, acompanhadas de sensação de desconforto, dor e inchaço.
“Trata-se de doença que ameaça diretamente a qualidade de vida dos pacientes. Ela causa impactos na mobilidade e pode evoluir para cenários clínicos mais graves, exigindo acompanhamento médico rigoroso para prevenir o avanço do problema”, explica Julio Peclat.
Sérgio Belczak, vice-diretor de Publicações da SBACV, explica que as tromboses venosas podem ser caracterizadas em dois tipos. “Se este coágulo se formar numa veia profunda é denominada trombose venosa profunda, se for formado numa veia superficial, é denominada tromboflebite superficial”.

As principais causas do problema são alterações na coagulação, imobilidade prolongada ou lesão nos vasos sanguíneos. O uso de anticoncepcionais, cigarro e histórico familiar são alguns dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de tromboses venosas. Sergio Belczak comenta que a atenção a alguns cuidados básicos pode ser fundamental na prevenção daqueles que já tenham predisposição ao problema.
“Se há histórico de trombose pessoal ou na família, é preciso evitar o uso de produtos com grau excessivo de hormônios, como os anticoncepcionais. Nos casos de profissionais que precisam ficar imóveis em viagens muito longas, como os caminhoneiros, é preciso consultar um angiologista ou cirurgião vascular de forma periódica.
Outro cenário que exige atenção redobrada é o do paciente que vai passar por uma cirurgia de maior porte. Nesse caso, é preciso buscar, junto ao cirurgião vascular, orientações pré-operatórias preventivas, especialmente em casos de cirurgias ortopédicas e cirurgias plásticas”, alerta o especialista.
Cenário nacional

O levantamento produzido pela SBACV para analisar a recorrência de casos de tromboses venosas revelou um cenário preocupante relacionado ao número de internações para o tratamento do problema.
Números oficiais do banco de dados do SUS revelam que, entre janeiro de 2012 e maio de 2022, um total de 425.404 brasileiros foram internados para tratamento da doença, sendo que 92% (394.254) dos atendimentos ocorreram em caráter de urgência.
“A necessidade de assistência médica imediata aos pacientes que chegam ao hospital em situação de urgência revela a ausência de uma rotina de consultas preventivas, sobretudo aos grupos de risco. O paciente com histórico da doença na família, por exemplo, pode evitar a trombose venosa a partir de investigações médicas periódicas ou pelo menos diminuir os riscos de a doença avançar”, destaca Sergio Belczak.